Pearson compra Grupo Multi por R$ 1,95 bilhão

dez 4, 2013 by     No Comments    Posted under: Notícias

A Pearson, empresa britânica do segmento editorial e de informação digital que controla o jornal Financial Times, anunciou ontem a compra do Grupo Multi, maior grupo privado de cursos de idiomas e de ensino profissionalizante no País. O negócio foi avaliado em R$ 1,95 bilhão R$ 1,7 bilhão, mais R$ 250 milhões em dívidas.

Trata-se da maior aquisição já anunciada no Brasil no setor de educação. A maior compra até hoje havia sido a da Universidade Norte do Paraná (Unopar) pela Kroton, por R$ 1,3 bilhão, em 2011, seguida pela aquisição da FMU pela Laureate, por R$ 1 bilhão, neste ano.

O grupo britânico vai adquirir os 78% da família do empresário Carlos Wizard Martins, fundador da empresa, e a fatia restante, pertencente ao Kinea, gestora de investimentos alternativos do Itaú. Com origem em Campinas, o Grupo Multi é dono de diversas marcas de cursos de inglês, entre elas Wizard, Yázigi e Skill, e das escolas profissionalizantes Microlins e SOS Computadores.

“A aquisição está de acordo com a nossa nova estratégia geográfica de priorizar mercados emergentes e de sermos líderes no ensino de inglês”, explica Juan Romero, presidente da Pearson América Latina. A operação ainda precisa ser aprovada pelos órgãos reguladores, mas a Pearson acredita que poderá concluí-la em 2014.

Com o acordo, o número de alunos da Pearson no Brasil passa de 500 mil pra 1,3 milhão. E a empresa, que tinha apenas quatro escolas de idiomas no País sob a marca Wall Street, terá agora sob seu comando 2,6 mil franqueados do Grupo Multi.

“Para nossa rede de franqueados, a aquisição representa mais uma oportunidade de negócio”, diz Giovanni Giovanel- li, presidente do Grupo Multi, que vai continuar no cargo, juntamente com toda a diretoria. “Vamos pensar em parcerias de ensino de inglês com as escolas que oferecem os sistemas de ensino da Pearson.”

Salto. Maior empresa de educação do mundo, a Pearson chegou ao mercado brasileiro em 1996, vendendo livros de ensino de idiomas. E só em 2010 aumentou a aposta no País, com a compra de parte do Sistema Educacional Brasileiro (SEB), de Ribeirão Preto (SP). Com o negócio de R$ 900 milhões, que triplicou a presença da empresa no Brasil e fez do País a maior operação na América Latina, a companhia adquiriu os sistemas de ensino COC, Pueri Do- mos, Dom Bosco e Name. Com a compra firmada ontem, a Pearson assume a liderança no ensino de inglês no País, um dos maiores mercados do mundo, estimado em R$ 7,3 bilhões, com um total de 2,8 milhões de alunos. Apesar do tamanho do mercado, há ainda um grande potencial de crescimento, em função da recente expansão da classe média e do baixo índice de fluência em inglês no País.

A aquisição marca ainda um desafio à centenária empresa de educação: com Microlins e SOS, é a primeira vez que a companhia atuará em ensino profissionalizante no mundo.

Grandes grupos miram ensino não formal

No mercado, a expectativa de que o grupo britânico Pearson anunciaria alguma compra por agora já existia. “Eles estavam ficando para trás e, por isso, tinham a necessidade de fazer alguma aquisição, seja no ensino superior ou em outro segmento”, diz Carlos Monteiro, presidente da CM Consultoria, especializada em educação.

Com a compra bilionária do Grupo Multi, a percepção é de que a Pearson aposta suas fichas no mercado de educação não formal, hoje pouco valorizado pelas instituições de ensino superior, segundo Monteiro. Nessa área se encaixam os cursos de inglês, ensino profissionalizante, entre outros.

Mas existe consenso no mercado de que esse setor temgrande perspectiva de crescimento, dada a carência de mão de obra qualificada. Estima-se, por exemplo, que o País precise de 7,2 milhões de profissionais de nível técnico até 2015.

Para Alexandre Pierantoni, sócio da PriceWaterhouseCoopers e líder em educação, é justamente essa carência que fará o movimento no setor de educação prosseguir. “Vamos continuar a ver transações de grande porte e várias de médio porte.”

O especialista ressalta que é muito comum os holofotes se voltarem para universidades porque elas foram a primeira grande onda de fusões e aquisições do setor. “Isso se estende agora para cursos profissionalizantes, línguas… E ensino médio e fundamental nós vamos observar também.”

Fonte:  O Estado de S. Paulo – São Paulo

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