Grupos privados dominam cursos técnicos

set 9, 2013 by     No Comments    Posted under: Notícias

As empresas de educação estão apostando em cursos técnicos, motivadas pelo programa do governo que está concedendo bolsas de estudo. Cerca de 80 grupos privados de ensino superior já se cadastraram no Ministério da Educação e Cultura (MEC) para participar da iniciativa batizada de Pronatec.

Das 240 mil vagas de cursos técnicos, 82% estão sendo ofertadas pelas instituições particulares. Kroton, Cruzeiro do Sul, Anima e Ser Educacional já estão matriculando alunos e outros grupos como Anhanguera, Laureate e FMU têm planos de entrar nesse nicho a partir de 2014. A Abril Educação também criou um sistema de ensino voltado para cursos técnicos que já foi comprado por 90 instituições particulares e públicas.

Segundo dados do MEC, em apenas uma semana, 388 mil alunos que fizeram o exame do Enem se inscreveram no Pronatec. Como nem todos os interessados efetivam a matrícula, as vagas remanescentes estão sendo ofertadas até o próximo dia 17 aos interessados que não fizeram o Enem.

“No ano passado, havia 1,4 milhão de alunos em cursos técnicos. Metade estuda no ensino privado e a outra parte, no público. Com o Pronatec esse número pode dobrar em cerca de dois anos”, disse Mark Essle, sócio da consultoria Performa Partners. Essle também é fundador da etb (escolas técnicas do brasil), empresa de sistema de ensino de cursos técnicos vendida para a Abril Educação em 2011.

Segundo Essle, há um público-alvo para essa modalidade de curso de 7,6 milhões de jovens, com idade entre 18 e 24 anos, que concluíram o ensino médio, mas não prosseguiram os estudos. Ainda de acordo com dados da consultoria Performa, o segmento de cursos técnicos movimentou R$ 1,3 bilhão no ano passado.

Pelas regras do Pronatec, as faculdades particulares só podem oferecer cursos técnicos nas mesmas áreas curriculares em que atuam no ensino superior. Além disso, são exclusivos para quem já tem o diploma do ensino médio. Algumas instituições como as Etecs permitem que alunos do ensino médio estudem concomitantemente o curso técnico, que tem duração de um a dois anos.

O Ser Educacional, que protocolou na semana passada pedido de oferta inicial de ações, tem disponível 42,8 mil vagas de cursos técnicos e preencheu na primeira etapa de inscrições cerca de 15 mil. “A oferta dos cursos técnicos poderá ter um impacto significativo no crescimento da nossa empresa através do Pronatec”, informa prospecto do Ser Educacional.

O Anima, que também vai fazer um IPO, abriu 200 vagas no Una, de Belo Horizonte. “Nossas aulas começam em setembro com a totalidade das vagas preenchidas”, disse Ana Carolina Miranda Sarmento, diretora do Una. Essa é uma etapa piloto e a meta é abrir cursos nas outras duas instituições do grupo, Unimonte e Uni-BH.

A Kroton abriu 19 mil vagas para 10 tipos de cursos técnicos. Os três mais procurados até o momento são informática, segurança do trabalho e redes de computador. “Tivemos uma procura excelente e nos surpreendeu porque cerca de 90% das vagas são para os períodos matutino e vespertino. No horário da noite, oferecemos menos vagas por causa do ensino superior que já tem forte demanda”, disse Paulo de Tarso, diretor geral de pós-graduação e cursos técnicos da Kroton, sem revelar o número exato de matrículas.

“Com Copa e Olimpíadas, haverá uma demanda para mão de obra de nível técnico. Nossa expectativa é atingir 10 mil matrículas em dois anos”, disse Arthur Sperandeo, vice-reitor acadêmico da FMU, que começa a oferecer essa modalidade de ensino em 2014.

A Laureate entrou nesse segmento no início do ano, antes de o governo liberar o Pronatec para os grupos privados. A Universidade Potiguar, do grupo americano, criou em janeiro 10 cursos técnicos pagos e atraiu 1,5 mil alunos. Porém, com o Pronatec não está definido se o curso técnico particular será mantido, uma vez oferecerá cursos com as bolsas do governo a partir de 2014.

Mas não são todos que colheram frutos na largada do Pronatec. O Grupo Cruzeiro do Sul registrou apenas 1,4 mil inscrições. “O número de matriculados foi bem abaixo de nossas expectativas. Nós acreditamos que houve falta de publicidade sobre o programa. Acreditamos que no próximo período de ingresso, em 2014, o processo será mais eficiente”, disse Janice Valia Santos, coordenadora geral do Pronatec e pró-reitora de extensão da Universidade Cruzeiro do Sul. Segundo Janice, o prazo para cadastramento das instituições, escolha dos cursos a serem oferecidos e inscrições para os candidatos foi muito curto.

Fonte: Valor Econômico Online

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