UNI-BH anuncia investimento de R$ 3 milhões em novo campus

mai 27, 2013 by     No Comments    Posted under: Gestão Educacional, Notícias

Não são apenas o comércio, a indústria e o segmento imobiliário que estão sendo atraídos pelo Vetor Norte da capital, novo polo de desenvolvimento econômico e de ocupação urbana, no caminho para Confins. Instituições de ensino superior estão avançando para a região, de olho em um mercado onde a oferta de escolas é pequena para uma demanda que cresce em busca do diploma universitário. O UNI-BH, instituição do Grupo Anima Educação, anunciou investimentos de R$ 3 milhões em um novo campus, na Avenida Cristiano Machado. As aulas começam em agosto, com oferta de 14 cursos. A expectativa é de que o número de alunos da instituição mais que triplique nos próximos cinco anos.

“A decisão de expandir para o Vetor Norte é um resultado do crescimento da região”, observa a vice-reitora do centro universitário, Vânia Café. Segundo ela, o novo campus vai começar suas atividades com 500 alunos, mas o terreno, de 5 mil metros quadrados, tem potencial para receber 2 mil estudantes. Nesse primeiro momento, serão abertas cerca de 100 vagas de trabalho no campus, entre equipe administrativa e professores.

 

Mapa geomarketing

No ano passado, a UNA, instituição que também faz parte do guarda-chuvas do Grupo Anima Educação, anunciou investimentos de R$ 3 milhões em Venda Nova. O número de alunos, que começou em 512, triplicou em um ano e já ultrapassa 1,5 mil.

“O campus foi resultado de um longo planejamento. A oferta de cursos superior na região é pequena e podemos dizer que a unidade é um case de sucesso”, diz o diretor da escola, Pablo Roberto Julião.
A PUC Minas, que foi pioneira na instalação do Campus São Gabriel no Vetor Norte, diz que a Linha Verde e o aumento do movimento no aeroporto de Confins potencializam oportunidades. Com 6 mil alunos, o campus, inaugurado há 15 anos com a oferta de apenas dois cursos, tem hoje mais de 10 opções na graduação, sem contar os programas de pós-graduação e mestrado.

“A ocupação do Vetor Norte é uma opção econômica, mas também um movimento natural. Estamos atentos a essas mudanças permanentes na ocupação da cidade”, diz o secretário de Planejamento e Desenvolvimento institucional da PUC Minas, Carlos Ribas. Ele não confirma informações de fontes do setor, de que a universidade estaria ampliando sua atuação com uma unidade em Venda Nova, mas não descarta futuros investimentos na região. “Novos projetos no Vetor Norte podem entrar em estudo a qualquer momento.”

Ensino Superior no Brasil

Estudos de mercado apontam que o potencial do Vetor Norte poderá gerar riqueza equivalente a R$ 287 bilhões em 2032, devido à atração para região de empresas de alto índice de tecnologia embarcada e também daquelas ligadas às ciências da vida, como biotecnologia, nanotecnologia, produtos farmacêuticos e softwares. Segundo Vânia Café, a decisão de instalar nova unidade do UNI-BH na Avenida Cristiano Machado, veio depois de um mapeamento (geomarketing) que teve duração de seis meses e identificou a região como a de maior potencial de crescimento, considerando um conjunto de variáveis importantes, como renda familiar, mobilidade urbana, oferta e demanda por curso superior.


Estratégia

O geomarketing foi desenvolvido pelo coordenador dos cursos de geografia, mineração e geologia, Júlio Giovanni Ribeiro, e estudantes do centro universitário, que cruzaram dados do IBGE e do Ministério da Educação. Segundo o especialista, 70% das instituições de ensino superior da capital estão concentradas nas regiões Oeste e Centro-Sul . “Como o câmpus está em um corredor importante, com conversão do sistema do metrô e sistema BRT, irá atender também a demanda de cidades vizinhas, como Sabará, Santa Luzia, Lagoa Santa e Vespasiano.” O estudo aponta também que em Belo Horizonte 160 mil alunos estão matriculados em cursos superiores, mas 350 mil têm ensino médio completo ou superior incompleto e estariam, portanto, aptos a ingressar na faculdade.

A renda média dos chefes de família dos estudantes, entre 3 e 5 salários mínimos, também apontou o Vetor Norte como o lugar certo para a instalação das escolas, já que abriga população dentro do perfil econômico considerado alvo. “As universidades estão atentas ao crescimento da região. Muitas delas já estão se instalando em grandes corredores. A médio prazo, a oferta de escolas de ensino superior no Vetor Norte deve crescer substancialmente”, considera Emiro Barbine, presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep).

O Kroton, maior grupo de educação superior do país, aguarda por decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade), que avalia recente associação com o Grupo Anhanguera. Enquanto isso, a instituição não está se manifestando sobre futuros investimentos e projetos de expansão.

Força do setor privado

No país, cerca de 85% das instituições de ensino superior são administradas pela iniciativa privada. Nos últimos cinco anos, o setor vem experimentado crescimento entre 5% e 7% ao ano em número de alunos e os movimentos de mercado como fusões e aquisições se intensificaram. Entre a população brasileira, apenas cerca de 8% têm curso superior, o que demonstra o alto potencial de crescimento do mercado, que acelera com a demanda por mão de obra qualificada.

A combinação de fatores econômicos como o aquecimento do mercado de trabalho, índice de desemprego em níveis recordes, também o crescimento da renda da população tem alavancado as matrículas. “A educação superior tem potencial de expansão nos próximos anos e por isso estimula negócios, já que os riscos da atividade diminuem” diz Felipe Queiróz, economista da empresa de classificação de risco Austin Rating. Segundo ele, contribuem para o cenário positivo políticas públicas de estímulo ao crédito educativo, como o Programa de Financiamento Estudantil (Fies). Ele cita também o Programa Universidade para Todos (Prouni). Criado em 2004, ele oferece bolsas de estudo integrais ou parciais, de 50%, a alunos de baixa renda (com ganhos mensais de até três salários mínimos).

A estrutura do capital também tem se mostrado dinâmica no setor. As fusões fazem as empresas ganharem velocidade para crescer dentro e fora dos grandes centros, deixando mais robusto o mercado, que, no país, atravessou períodos de escassez de investimentos.

Recentemente, em uma operação envolvendo ações avaliadas em cerca de R$ 5 bilhões, o grupo Kroton Educacional, nascido em Minas há 45 anos com a Rede Pitágoras, incorporou a Anhanguera Educacional. A fusão cria um gigante da educação superior, com valor de mercado estimado em R$ 12 bilhões. As duas redes somarão 1 milhão de alunos, cerca de 20% do total de matriculados na rede privada brasileira, que conta com 5 milhões de estudantes no ensino superior. Em Minas, o grupo Kroton atua na capital e no interior. No ensino superior, são oferecidos cursos de graduação e pós-graduação nos formatos presencial e a distância. Já a Anhanguera está presente apenas em BH, com três unidades. As duas empresas empregam mais de 32 mil profissionais.

Emiro Barbini, presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), aponta que grande maioria dos estudantes brasileiros estão ligados às redes particulares. Em Minas Gerais são 355 instituições, segundo censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Desse total, 28 são públicas e 327 escolas privadas de ensino superior. (MC)

 

Fonte: Jornal Estado de Minas

Marinella Castro

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