Com a proximidade da copa, cursos de gestão esportiva espalham-se pela cidade

mai 15, 2013 by     No Comments    Posted under: Cursos

Durante décadas, a profissão de dirigente esportivo teve sua imagem associada à do velho cartola de futebol, aquele sujeito folclórico, polêmico, amador, muitas vezes encrencado, que se dedicava ao clube nas horas vagas após anos de aprendizado prático só nos vestiários.

Pois, assim como ocorreu com as bolas de couro e as traves de madeira, esse personagem está se tornando parte do passado. Estimulados pela Copa do Mundo, cerca de 100.000 empregos devem ser criados até 2014 na capital – calcula-se que quase metade deles continuará existindo após o evento.

Para suprir esse mercado crescente, estão se disseminando os cursos de especialização em gestão esportiva: existem pelo menos nove na cidade, que formarão anualmente 200 alunos. Há cinco anos, só existiam três. O mais recente é o da Fundação Instituto de Administração (FIA), que espera fechar neste mês sua primeira turma com 20 pessoas e atletas, negócios esportivos e marketing. As principais áreas de atuação desses profissionais estão na administração de arenas, agremiações e eventos. Em sua maioria, são cargos de gerência, com salários iniciais na faixa dos 7.000 reis, em média. Mas podem ultrapassar os 30.000 reais.

“O setor está recebendo muitos investimentos e há possibilidades amplas após a Copa do Mundo”, diz o professor Michel Mattar, especialista em gestão esportiva da FIA.

 

Treino prático

Quem oferece a formação e quanto ela custa

Gestão, marketing e direito no esporte

Onde: Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Duração: 12 meses (188 horas)

Valor: 11.600 reais

 

Master em gestão de futebol

Onde: Federação Paulista de Futebol (FPF)

Duração: 10 meses (360 horas)

Valor:  10.500 reais

 

Marketing esportivo

Onde: Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)

Duração: 18 meses (400 horas)

Valor: 32.000 reais

 

Gestão em negócios esportivos

Onde: Fundação Instituto de Administração (FIA)

Duração: 10 meses (180 horas)

Valor: 5.000 reais

 

A intermediação de contratos entre patrocinadores e clubes ou atletas é outra função recorrente.

 

“Hoje usam as camisas dos times somente como outdoor, mas deveriam aproveitas a relação com as estrelas para desenvolver novos produtos”, afirma a professora  Clarisse Seryon, coordenadora do MBA em marketing esportivo da ESPM. “Ainda faltam gestores que saibam fazer isso direito no Brasil”.

 

De olho no Mundial, empresas também passaram a criar cargos ligados ao torneio. A montadora Kia, por exemplo, destacou o administrador Eduardo Guena Jardiim de Camargo para o posto de gerente para assuntos da Copa, como o objetivo de analisar novas possibilidade de negócio. Foi assim que curiosamente, ele sugeriu um investimento que nem tem relação direta com o futebol: a luta olímpica.

 

Segundo sua avaliação, é uma modalidade que poderá garantir muitas medalhas (e visibilidade) para o Brasil na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.

 

“Com o curso, descobri quais são os requisitos necessários para criar uma potência esportiva”, conta Camargo, recém-formado pela Fundação Getúlio Vargas em um programa de aulas on-line oferecido em parceria com a Fifa e o Centro internacional de Estudos Esportivos.

 

Distribuir os recursos, geralmente concentrados no futebol, é justamente um dos principais desafios do setor. “Historicamente, vôlei ou ginástica só atraem dinheiro quando equipes são campeãs”, afirma a assistente de marketing do São Paulo, Paula Reina, que largou a carreira de veterinária há dois anos para atuar na área.

 

É evidente que o futebol continuará atraindo as maiores cifras. Por outro lado, é o que também enfrenta mais resistências para a mudança de cultura na gestão. Foi o que constatou o ex-zagueiro Roque Júnior, ex-Milan e Palmeiras, pentacampeão mundial com a seleção brasileira em 2002.

 

“É o mais atrativo, mas o que tem os dirigentes com mentalidade mais fechada e próxima do amadorismo”, diz. Pós-graduado em gestão e marketing esportivo pela Escola de Negócios Trevisan, o ex-jogador pôs à prova essa afirmação com o projeto que geriu de 2005 a 2012 em São José dos Campos, no interior do estado. Batizado de Primeira Camisa, o time operava como um clube-empresa, com uma estrutura de comando inspirada em equipes europeias.  “Enfrentei muitas dificuldade, pois esse modelo ainda não é bem-visto no Brasil”, afirma ele, que desistiu da empreitada e agora está fazendo outro curso de técnico de futebol para acumular conhecimentos na área.

 

Fonte: Silas Colombo
Veja São Paulo – 15/05/2013

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