Mais estudantes, em poucas universidades

mai 10, 2013 by     No Comments    Posted under: Gestão Educacional

A onda de fusões e aquisições no ensino superior privado brasileiro fez aumentar de forma impressionante a concentração de alunos nas mãos de um número cada vez menor de empresas. Pesquisa da consultoria Hoper, especializada em educação, mostra que na última década esse índice mais que dobrou.

Em 2002, as 20 maiores companhias do setor detinham 14% dos alunos. No fim do ano passado, os 13 maiores grupos concentravam 38% dos estudantes universitários. Essa concentração aumentou ainda mais no mês passado, com o anúncio da megafusão de Kroton e Anhanguera, as duas líderes do setor.

 

“É uma relação considerável se levarmos em conta que 2.081 instituições, controladas por 1,4 mil empresas, disputam um mercado de 5 milhões de alunos no Brasil”, diz Ryon Braga, fundador e presidente do conselho da Hoper, que anualmente faz uma análise setorial do mercado de educação.

No último levantamento, que foi divulgado ontem, a previsão é de que até 2016 a concentração aumente ainda mais, chegando a um índice de 50% das matrículas em apenas 11 grupos educacionais. “As consolidadoras estão mais seletivas, porque o preço dos alvos aumentou muito nos últimos anos”, diz Braga. “Mas isso não significa que as aquisições vão deixar de acontecer.”

A tendência, segundo ele, é de que ainda neste ano sejam anunciados novos negócios envolvendo empresas de porte médio. Ontem, por exemplo, o Grupo Cruzeiro do Sul, controlado pelo fundo de private equity Actis, anunciou a compra da Unifran, com sede na cidade de Franca (SP), por R$ 120 milhões.

Essa foi a primeira transação no setor fechada após a união das operações de Kroton e Anhanguera, que criou a maior companhia de ensino privado do mundo, com quase 1 milhão de alunos e receita de R$ 4,1 bilhões. A megafusão ainda espera aprovação do Cade – o que, na opinião de Ryon, não deve ser um problema já que as duas instituições atuam em regiões diferentes do País.

O tempo que a nova gigante deve levar para integrar suas operações abre oportunidade para a carioca Estácio de Sá avançar nas aquisições. Nos últimos anos, a empresa, controlada pela GP Investimentos, acabou ficando para trás no processo de consolidação. Outros grupos de porte médio também devem liderar essa nova etapa de fusões e aquisições no setor. Segundo fontes de mercado, a rede Ânima, controlada pela BR Investimentos, do economista Paulo Guedes, já se prepara para a abertura de capital, assim como o grupo nordestino Mauricio de Nassau.

Concentração

Para Gabriel Mário Rodrigues, fundador da Anhembi Morumbi e hoje presidente do conselho de administração da empresa resultante da fusão entre Kroton e Anhanguera, a concentração no mercado deve aumentar nos próximos anos mas não na proporção estimada pela Hoper.

“A demanda por ensino superior só tende a crescer no País e além disso, agora, as instituições contam com o financiamento estudantil – o que não havia até pouco tempo atrás”, afirma

Do ponto de vista pedagógico, a concentração do ensino superior é motivo de crítica por parte de especialistas. “A padronização excessiva dos cursos tem tudo para ser um problema no futuro”, diz Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP.

Fonte: NAIANA OSCAR – O Estado de S.Paulo

10/05/2013

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