Educação 3.0 – Quais os novos desafios para a gestão?

fev 28, 2013 by     No Comments    Posted under: Artigos

Desde os tempos remotos, o homem vem ensinando e aprendendo a utilizar superfícies dos mais diferentes materiais. Na Mesopotâmia utilizava-se argila; os egípcios desenvolveram o papiro; na biblioteca de Pérgamo, inventou-se o pergaminho; os chineses descobriram o papel; o inglês Tim Berners-Lee criou e popularizou a Internet. Acompanhando o desenvolvimento intelectual do homem, as representações gráficas foram se tornando cada vez mais complexas, passando a ser uma excelente ferramenta de disseminação de ideias e conceitos, de ensino e de aprendizagem.

É na Grécia Antiga que começa a História da Educação como a refletimos e realizamos hoje. Embora não mantivessem escolas, surge, no século V a.C., os primeiros professores remunerados. Trata-se dos grammatistés que eram contratados para ensinar os jovens a ler e escrever. No mundo grego, a filosofia contribuiu para o desenvolvimento da educação. Os sofistas eram professores de retórica, altamente respeitados, que viajavam realizando discursos e reflexões públicas para atrair estudantes.

Com o advento do cristianismo, a educação leiga foi substituída pela educação religiosa, tornando-se o único meio de aquisição e transmissão de conhecimento. Não era fácil conseguir autorização de uma escola na Idade Média, pois, com medo de perder a influência, a igreja dificultava qualquer concessão. Os estudantes e professores reagiram e passaram a organizar associações denominadas universitas, que, mais tarde, originou a palavra universidade.

Os conteúdos das universitas estavam disponibilizados nas sete artes liberais, denominadas trivium e quadrivium. A metodologia era a arte da disputa que tinha o objetivo de ensinar retamente o uso da razão. Utilizando princípios de gramática, retórica e lógica, os estudantes aprendiam não somente a distinguir o verdadeiro do falso, mas, sobretudo, aprendiam a argumentar de forma coerente e, principalmente, aprendiam a pensar.

No final do século XVIII, surge a Revolução Industrial que alterou as relações sociais. A educação foi então, moldada para suprir a necessidade de profissionais onde a memorização, padronização, repetição e habilidades manuais eram fatores determinantes para o desempenho profissional. Assim, milhões de pessoas passaram a agir somente com o corpo sem liberdade para expressar-se com a mente. Foram duzentos anos de atrofia do pensar.

Taylor, ícone da revolução, criou princípios que não somente interferiram nos processos produtivos, mas também modificaram as metodologias de ensino que não serão mais individualizadas, mas uma educação coletiva para muitos. A padronização, significa que a sala de aula deve ser vista sem diferenças e que o aprendizado de um deve ser o mesmo do outro. A padronização traz consigo a especialização. Disciplinas, conteúdos e professores são especializados. O ensino está concentrado na sala de aula, local onde o professor repassa todo o conhecimento necessário para que os estudantes tenham sucesso pessoal e profissional. Taylor defendia a centralização como forma de comando. Na escola centraliza-se unicamente no professor a responsabilidade de ensinar. É programada data e hora para a aprendizagem, a escola necessita da sincronização para que todos os estudantes estejam presentes na mesma hora, no mesmo espaço, no mesmo lugar.

A era pós-industrial trouxe princípios completamente antagônicos aos da era industrial. Retira-se a padronização, entra a personalização. Sai o especialista, entra o generalista-especialista. O segredo agora está na subjetividade, na estética, no nomadismo, na empatia e na emotividade. O objetivo do ensino não está mais na memorização, mas no desenvolvimento de competências e habilidades tais como linguagem, raciocínio lógico, argumentação e tomada de decisão, que resumimos como acuidade mental.

Os alunos não são mais os mesmos para os quais as metodologias da era industrial são disponibilizadas. Os antigos estudantes eram indivíduos isolados, os novos são mais conectados. Se a busca da aprendizagem já foi mais passiva e silenciosa, os novos estudantes são agora ativos, barulhentos e públicos. O que tudo isso significa?

• Para Faulds e Barb, pesquisadores de Michigan, significa que estamos preparando estudantes para empregos que ainda não existem, usando tecnologias que não foram inventadas, para resolver problemas que ainda não sabemos que serão problemas. Significa que temos que preparar os estudantes para um futuro que os próprios educadores não conseguem descrever;
• Significa que a organização dos conteúdos e a construção dos currículos devem ser flexíveis, de fácil alteração, focadas em conhecimentos, habilidades e competências que contemplem o futuro e não apenas o presente e o passado;
• Significa que a disponibilização dos conteúdos não pode ser somente analógica, que a digitalização, a socialização em redes, a ludicização e a jogabilidade serão os diferenciais, pois criarão desafios e necessidades para essa geração que precisa ser provocada;
• Significa que atomização do conhecimento com a criação de objetos de aprendizagem e a utilização de todas as mídias disponíveis que respeitem a sequência de aprendizagem imagem, som e texto, aliás, a sequência de aprendizagem da geração Y, deve ser o foco de qualquer metodologia de ensino-aprendizagem;
• Significa que a educação, cada vez mais, terá que trabalhar com outros princípios como o da virtualidade, em que as relações com as pessoas, com os objetos, com o ensino e aprendizagem se dissociam cada vez mais da presença física;
• Significa que muitos dos atuais limites de espaço e tempo servem como pretextos e respondem apenas a velhos rituais e velhas metodologias de ensino sem sentido, até contraproducentes em relação às novas exigências de autonomia, flexibilidade, aprendizagem e criatividade;
• Significa que o ensino deve utilizar-se de todos os métodos como imitação, transmissão, mediação e provocação. Que a educação deve se valer das mais diversas mídias como texto, som, imagens fixas, imagens em movimento, jogos e simulações para provocar essa juventude que precisa de jogabilidade para ser motivada;
• Significa que as metodologias e os princípios da Revolução Industrial, ainda muito forte e influentes na educação atual, são ineficientes e ineficazes e, portanto, não são mais válidos;
• Significa que temos que, rapidamente pensar na adaptabilidade e flexibilidade como princípios contínuos e indispensáveis de cada educador.

Rui Fava – Vice-Presidente de EAD da Kroton Educacional, diretor geral da UNOPAR e autor do livro “Educação 3.0”. Ele ministrará a palestra: “As atividades de aprendizagem e as novas competências na educação 3.0” no GEduc 2013 – XI Congresso Brasileiro de Gestão Educacional & III Congresso Internacional de Gestão Educacional. O congresso será realizado nos dias 20, 21 e 22 de março de 2013, no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo/SP. Para mais informações e inscrições acesse: www.humus.com.br/geduc

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