Investidor do Facebook vira sócio de empresa criada por professor brasileiro

dez 17, 2012 by     No Comments    Posted under: Notícias

Peter Thiel e outros quatro investidores do Vale do Silício acabam de fazer rodada de investimento no site de aulas virtuais Descomplica


Quando se colocou diante do quadro negro, com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, Marco Fisbhen não sabia exatamente o que iria fazer com o material que teria em mãos. Limitou-se a declamar as lições de física que repetia 50 horas por semana em um famoso cursinho pré-vestibular no Rio de Janeiro. Um curso de edição de vídeo foi o primeiro passo em busca de uma definição.

Cinco anos depois, as filmagens ganharam formato definido e se tornaram a matéria-prima fundamental de um negócio que oferece uma alternativa ao tradicional ensino pré-vestibular e uma nova proposta de ensino à distância. Criado por Fisbhen, o site de aulas virtuais Descomplica acaba de receber uma rodada de investimento de cinco dos fundos de investimento mais badalados do Vale do Silício: o Social+Capital Partnership, El Área, 500 Startups, Valor Capital Group e Valar Ventures.O último tem como sócio Peter Thiel, um dos fundadores do PayPal e primeiro a colocar dinheiro no Facebook.

O valor da rodada não é revelado, mas sabe-se que está próximo da quantia de R$ 3 milhões. Este é o segundo investimento de Thiel no Brasil. Em outubro, ele anunciou um aporte no e-commerce de móveis Oppa. Além de Thiel, passa a fazer parte do quadro de acionistas da empresa Antoine Colaco, ex-Chief of Staff de Desenvolvimento de Negócios Globais do Google e atual vice-presidente da Valor Capital Group.

“Nós entendemos que tínhamos alguns números bons o suficiente para buscar uma nova rodada e sabíamos que no Brasil não seria tão fácil, porque aqui o investidor é mais avesso ao risco e não entende tão bem as demandas do mercado de educação”, explica Fisbhen, que foi bater na porta dos fundos pessoalmente em abril.

Ex-aluno de escola pública, o empreendedor alega ter nutrido durante anos o sonho de que outros jovens com poucos recursos pudessem ter a chance de promover a mesma revolução que ele   realizou em sua vida. Fisbhen foi aprovado duas vezes em universidades públicas. A primeira, para o curso de medicina, e a segunda, para engenharia de produção. Não terminou nenhuma das duas. As horas-aula como professor de física em um cursinho pré-vestibular tomaram toda a sua agenda ao longo dos anos.

Com a proposta de levar aulas curtas e focadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a preços acessíveis para a internet, Fishben criou uma versão 2.0 dos antigos telecursos e deu uma alternativa para jovens que buscavam reforço escolar ou que não têm recursos para investir em um cursinho  tradicional. Atualmente, o Descomplica oferece 2,5 mil aulas pré-gravadas em vídeos de aproximadamente cinco minutos, além de outras ao vivo, monitoria, correção de redações, questionários com gabarito em tempo real e fórum de perguntas e respostas, por preços que variam de R$ 17,90 a R$ 8,48 por mês.

“O Brasil tem um modelo de negócio invertido. O aluno de escola pública têm que pagar por educação e isso é absurdo”, diz. Fisbhen garante que 100 mil dos 600 mil usuários que acessaram o site no ano passado conseguiram entrar em universidades pelo Pró-Uni e pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Desses, 78% tiveram desempenho acima da média. Este ano o número de usuários mais que dobrou, foram 1,5 milhão de acessos únicos.

Quando o negócio começou a ser desenhado, em 2007, esses resultados pareciam inalcançáveis. Com a baixa penetração da banda larga no país, soava pouco provável que um negócio na área de educação focado justamente em quem tinha menos dinheiro e menos acesso à rede mundial de computadores daria certo.

É por isso que para Fisbhen, a primeira rodada de investimento recebida em 2010, após participar de um concurso de planos de negócios, foi um golpe de sorte. “Havia um grande ponto de interrogação se alguém pagaria por conteúdo na internet. Os investidores que apostaram no Descomplica entraram em uma situação de muito risco”, diz.

Expansão

Ernesto Vegas, na época presidente da Gávea Angels, se tornou mentor da empresa após o concurso e sugeriu que ele apresentasse seu projeto a investidores da associação. Três deles investiram R$ 300 mil, usados para montar a estrutura do site, que entrou oficialmente no ar em 2011. Na sequência, o negócio ganhou apoio também da Fundação Natura e da Microsoft. Desde então, o crescimento do Descomplica foi exponencial.

Quando foi se aventurar em busca de investimento no Vale do Silício, Fisbhen contou com a ajuda da brasileira Bedy Yang, da 500 startups, que fez a ponte com os outros investidores. “Nos Estados Unidos os fundos são muito interconectados e costumam fazer negócios juntos para reduzir os riscos. Um acabou me levando ao outro”, diz.
Com o novo aporte, o empreendedor quer expandir a grade de aulas do Descomplica para todo o Ensino Médio – hoje o foco é apenas no Enem. O dinheiro será aplicado na contratação de executivos, consolidação tecnológica da plataforma, ampliação do acervo de videoaulas e construção de novos conteúdos.

De 2,5 mil vídeos, Fishben quer chegar a 10 mil já no início do ano que vem. Durante todo o mês de janeiro estão agendadas 8 horas de gravação de aulas por todo o Brasil
“Queremos trazer profissionais das diferentes regiões para falar sobre suas especificidades e cultura. Isso deve enriquecer ainda mais as aulas e o processo de aprendizagem de nosso aluno”, afirma.

Uma nova tecnologia está sendo preparada para que os vídeos sejam apresentados ao aluno conforme seu desempenho prévio. “O novo algoritmo usado nesta nova plataforma vai personalizar o ensino. O site vai conseguir identificar quais disciplinas e temáticas o aluno possui maior deficiência e, com isso, apresentar vídeos que reforcem suas necessidades”, diz Fisbhen.

O Descomplica também deve entrar novos mercados no ramo da educação. Mas esses detalhes ainda são mantidos em sigilo, assim como o faturamento da empresa. “A nossa meta é mudar a maneira que o aluno da escola pública vê o futuro. Alguns simplesmente nunca pararam para considerar a possibilidade de ser médico ou engenheiro. Quero que ele seja mais ambicioso e tenha visão de futuro.”

 

Fonte: Época Negócios

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