Kroton está entre as maiores redes educacionais do mundo

dez 4, 2012 by     No Comments    Posted under: Notícias

Por nove dias, no início de novembro, a brasileira Kroton foi a maior empresa de educação do mundo. Passou, em valor de mercado, a chinesa New Oriental, que atende hoje 2,4 milhões de alunos – quase quatro vezes mais que a rede de ensino brasileira. Agora, ela já está de volta ao segundo lugar, com uma diferença de meio bilhão de dólares da primeira colocada global – o que também não deixa de ser uma posição de destaque para a Kroton.

Até dois anos atrás, ela era uma empresa sem graça para os investidores. Tinha 85 mil alunos, lucro de R$ 11 milhões e valia na bolsa um quarto de sua maior concorrente e grande aposta do setor, a Anhanguera Educacional, de Valinhos (SP). “Ninguém imaginava que a empresa se destacaria dessa maneira”, diz o analista do banco Santander, Bruno Giardino.

Neste ano, ela virou a “queridinha” do mercado. Até novembro, a rede de ensino controlada desde 2009 pelo fundo americano Advent, foi a que mais se valorizou na bolsa brasileira – ao lado da carioca Estácio de Sá. No próximo dia 5, a empresa vai migrar para o Novo Mercado, nível mais avançado de governança corporativa da BM&FBovespa.

A atenção dos investidores se voltou para a Kroton pela primeira vez em dezembro do ano passado, quando ela anunciou a maior aquisição já feita no setor de educação no mundo. Com a compra da paranaense Unopar, especializada em ensino a distância, a Kroton ganhou mais de 160 mil alunos e mudou de patamar. Seis meses depois, arrematou a catarinense Uniasselvi e se consolidou na liderança do ensino a distância.

Havia a preocupação por parte dos analistas de que a integração dessas operações fosse penosa, como foi para a Anhanguera quando comprou a Uniban em setembro de 2011. “Mas embora Unopar e Uniasselvi fossem duas empresas grandes, elas já tinham um nível de eficiência semelhante ao da Kroton”, diz o diretor financeiro, Frederico Abreu. “Por isso, não está sendo uma integração dolorosa.” A margem líquida da companhia passou de 9,5% nos primeiros nove meses de 2011 para 22,1% neste ano.

Ao mesmo tempo em que dobrou de tamanho, a Kroton começou uma campanha interna para aumentar o número de alunos bolsistas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do governo federal. Há sete meses, a empresa fez uma parceria com o Banco do Brasil para atender alunos interessados no financiamento. Em todas as cidades em que a Kroton está presente, há uma agência do banco com atendentes especialistas em Fies. Além disso, cada faculdade tem uma sala exclusiva para o atendimento de potenciais bolsistas, que são angariados em escolas e empresas por uma equipe de 150 vendedores espalhados pelo País.

Hoje, 43% da carteira de alunos da Kroton é financiada pelo Fies. Há um ano, era metade disso. “O financiamento tem sido estratégico para essas empresas porque reduz dois riscos do setor: a inadimplência e a evasão por problemas financeiros”, diz Luiz Azevedo, analista de educação do Bradesco.

História. O momento que a empresa vive agora começou a se desenhar em março de 2010, com a aquisição da mato-grossense Iuni, fundada pelo empresário Altamiro Galindo. O acordo previu que, além de sócia da Kroton, a família teria um representante na empresa. Rodrigo, filho do fundador, virou diretor de ensino superior da rede e em menos de um ano tornou-se presidente do grupo.

Com Rodrigo Galindo à frente da operação, a Kroton estabeleceu um plano de aquisições de pequenas faculdades, com até 10 mil alunos e um processo de integração que não tem precedentes no setor. Num prazo de 90 dias, a instituição recém adquirida passa a operar com os mesmos sistemas, grade curricular e estrutura financeira da matriz. “Em geral, as integrações no ensino superior levam mais de dois anos, porque o novo currículo só vale para novos alunos”, diz o consultor Carlos Monteiro, da CM Consultoria.

Depois de um jejum de quase seis meses sem aquisições, a empresa já anunciou que voltará ao mercado em 2013. “Existem mais de 2 mil instituições de ensino superior no País e já mapeamos 600 interessantes para o nosso negócio”, diz Galindo. “Não nos impusemos um limite.”

Para quem olha o segmento de educação além dos balanços financeiros, como o estudioso Simon Schwartzman, há muito espaço para crescimento do ensino superior privado no Brasil. “O setor público não consegue estar em todos os lugares. É aí que as instituições particulares entram”, diz. E isso, segundo ele, não é ruim. “É impossível reproduzir o modelo de universidade tradicional, com investimento em pesquisa, em todas as instituições de um país. O ensino pasteurizado também tem uma contribuição a dar.”

Fonte: estadao.com.br

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