Colégios de elite de SP reagem a campanha do Objetivo

out 17, 2012 by     No Comments    Posted under: Uncategorized

Segundo Objetivo, menção a concorrentes em anúncios que destacam liderança do seu Colégio Integrado no Enem foi ‘homenagem’ às melhores escolas da cidade

 

 

Colégios de elite de São Paulo lançaram uma ofensiva contra a campanha publicitária do Sistema Objetivo, apoiada no Colégio Integrado, líder do ranking do Enem. A iniciativa mais incisiva delas partiu do Etapa, que espalhou cartazes em suas unidades nos quais levanta questionamentos éticos sobre a utilização das notas do Enem para atrair estudantes. O Bandeirantes também criticou os anúncios. Vértice, Santa Cruz e Albert Sabin adotaram postura cautelosa e disseram prezar por “transparência” na comunicação com a sociedade.

No material publicitário, tanto o Sistema Objetivo quanto o Colégio Objetivo Integrado são apresentados como “1.º lugar no Enem”. Ele traz ainda a lista das 20 escolas paulistanas com melhor desempenho no exame sob o título “O Colégio Objetivo Integrado está à frente dos demais colégios”. O Etapa aparece no 7.º lugar.

Para o Etapa, a informação do anúncio é “mentirosa”. “A gente fez uma conta bastante simples. Tiramos uma média dos alunos das dez escolas do Objetivo na cidade e vimos que o ‘sistema’ ficaria na posição 1.056 do ranking nacional”, diz o coordenador geral do Etapa Edmilson Motta.

O cartaz produzido pelo colégio tem como título “A transmutação do 1.056.º em 1.º lugar do Enem”. O texto diz que “foi criado um 1.º lugar”. “Foi isolada uma classe dentro da Unidade Paulista (na Avenida Paulista, região central) ‘surgindo’ a mais nova unidade, chamada ‘O. Integrado'”, continua o folheto, sem citar nominalmente o Objetivo.

Segundo João Carlos Di Gênio, fundador e diretor do Objetivo, o Colégio Integrado foi criado a pedido de alunos que queriam atividades em período integral. “Eles (o Etapa) fazem um colégio de tempo integral e não querem que os outros façam. Eu tenho o direito de fazer um colégio de tempo integral também”, diz. Ele afirma ter feito uma “homenagem” aos colégios listados no ranking anunciado. “A ideia foi promovê-los. Publicar os nomes dos 20 melhores colégios da capital não é ofensa. Estamos fazendo uma propaganda gratuita para eles.”

O Objetivo Integrado, como a campanha do grupo de Di Gênio afirma, teve a melhor nota na capital, no Estado e no País no Enem (neste último caso, considerando separadamente cada uma das quatro provas objetivas, sem a redação). As médias referem-se às provas de 2010 – as do ano passado só serão divulgadas no fim de novembro.

Os alunos que se destacam nas escolas da rede Objetivo são convidados a se matricular no colégio Integrado. Eles têm aulas pela manhã e, à tarde, um esquema especial de preparação para o Enem e olimpíadas escolares – a rede coleciona medalhas nessas competições.

 

‘Paraguai Integrado’

Em tom irônico, o Etapa compara o Objetivo Integrado ao Paraguai. Diz o folheto: “Daria para levar ao 1.º lugar o PIB per capita do Paraguai que, com 6 mil dólares anuais é o penúltimo da América do Sul. Bastaria criar um ‘Paraguai Integrado’. Integrado apenas pela família Oviedo, cuja renda per capita é de 200 mil dólares.”

“Esse ‘Paraguai Integrado’ ficaria com o maior PIB per capita das Américas, 5 vezes maior do que o dos EUA. Imagine na TV isso: ‘Paraguai Integrado’, o mais forte das Américas. É claro que ninguém faz algo täo enganoso com o PIB.”

No rodapé do cartaz, o Etapa pergunta: “Por que no setor da Educação, que deveria zelar pela Ética, isso acontece?”

“Era uma denúncia necessária. Muitos mais se orientam exclusivamente pela média do Enem para definir a escola dos filhos”, afirma Motta. “Está prestes a sair o resultado do Enem do ano passado, e algumas outras escolas podem ter adotado estratégia semelhante (de criar uma unidade especial).”

 

Transparência

Mauro Aguiar, diretor do Colégio Bandeirantes, aprova a iniciativa do Etapa. “Eles têm toda razão. O anúncio é uma forma de enganar o público”, diz. Aguiar afirma ter consultado recentemente o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) sobre o material do Objetivo. “Mas só os sócios do Conar podem prestar queixa.”

Ainda segundo o diretor do Bandeirantes, o 5.º melhor colégio da cidade no Enem 2010, a publicidade do Objetivo é “horrorosa do ponto de vista ético”. “Claramente dá para entender que todas as escolas deles são melhores. E o fato de criar uma escola para alunos especiais é indecente. Se eu colocasse os 300 melhores alunos do Bandeirantes em um ‘integrado’ eu teria nota maior que a deles.”

Adilson Garcia, diretor do Vértice, diz concordar com a “reação” do Etapa, mas afirmou que seu colégio não fará manifesto de igual natureza. “O Objetivo deve ter as razões dele para criar o colégio Integrado”, diz. “Mas não concordamos com esse tipo de divulgação (que o Objetivo faz), tanto que até hoje nunca utilizamos o resultado do Enem como marketing.” O Vértice ficou em 2.º lugar no ranking.

O Santa Cruz, 3.º colocado, preferiu não comentar “estratégias publicitárias de outras instituições de ensino”. “Em nossas comunicações, praticamos a transparência e o compromisso com a verdade”, afirmou, em nota.

Para a diretora pedagógica do Albert Sabin, Giselle Magnossão, a divulgação de rankings de desempenho traz “benefícios”. “Entre eles um movimento generalizado de busca de aperfeiçoamento do trabalho pedagógico e um indicador objetivo da qualidade da escola, embora não avalie tudo”, diz.

Sexto lugar no ranking, o Sabin considera “natural” as escolas utilizarem a pontuação no Enem para falar de sua qualidade. Mas alerta para o risco de o ranking acirrar a competição entre os colégios particulares. “A postura do Objetivo tem de ser pensada. Aglutinar os alunos por nível de performance é uma estratégia pedagógica que usamos no Sabin nas aulas de inglês, por exemplo. Mas atribuir um CNPJ para um grupo diferenciado dentro de uma instituição é diferente”, afirma Giselle. “A transparência na comunicação é importante. O anúncio deveria dizer que os alunos (do Colégio Objetivo Integrado) foram selecionados, reunidos em um grupo e este grupo obteve o 1.º lugar no Enem.”

 

Homenagem

Para Di Gênio, tirar a média dos alunos do sistema, como fez o Etapa, é “bobagem”. Ele diz que todos os 20 colégios listados nos anúncios são bons. “Não quer dizer que o nosso colégio seja melhor que os outros.”

O diretor do Objetivo afirma que “teve o cuidado” de publicar as notas de cada escola, “para mostrar que a diferença entre os colégios é muito pouca”. “Eu não vejo ofensa em ser o 2.º, 3.º, 4.º colocado”, diz. “A classificação que eles (o Etapa) tiraram não é vexatória, é boa.”

“O Etapa deve estar chateado com o 7.º lugar. Não precisa ficar nervoso. Vai chegar o dia de ele ser o 1.º”, afirma. “(Etapa, Bandeirantes e Vértice) estão com a mania de achar que ser o 1.º é ser o melhor. Não é. Meu colégio não é melhor que os outros.”

Di Gênio diz ainda que o fato de utilizar as notas de 2010 na campanha publicitária “não cria distorção”. “Foi o último resultado que saiu”, justifica. “Quando sair o resultado novo, vamos voltar a publicar (anúncios). Mesmo que a gente não fique em 1.º lugar.”

 

Fonte: Carlos Lordelo, do Estadão.edu

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