Sem vestibulinho, colégios de SP usam até sorteio em seleção

jun 25, 2012 by     No Comments    Posted under: Notícias

Sob pressão do Ministério Público e da Justiça, colégios particulares de São Paulo decidiram alterar as seleções de novos estudantes –o tradicional Santa Cruz é um deles.

Os vestibulinhos para ingresso no ensino fundamental têm dado lugar a sorteios e filas por ordem de inscrição.

Em abril, a Justiça proibiu como critérios para ingresso no ensino fundamental métodos que considerem situação pedagógica ou conteúdos aprendidos pelos estudantes.

Segundo o Ministério Público Federal, autor do pedido judicial, os exames “podem causar transtornos psicológicos às crianças”.

O caso mais emblemático de mudança é o do Santa Cruz. Citado nominalmente na ação judicial que veta as provas para ingressos no primeiro ano, a escola não aceitará estudantes novos para a primeira série de 2013.

A escola entende que, como não pode avaliar o “mérito” da criança, novos alunos na série podem prejudicar os demais da turma, uma vez que a alfabetização começa no seu ensino infantil.

Por outro lado, decidiu ampliar vagas na pré-escola. Os postos adicionais serão ocupados por meio de sorteio. Até então, preenchiam todas as vagas dessa etapa crianças com vínculo com o colégio (como irmão de aluno).

Para a escola, apesar de não ser o ideal, o novo formato consegue atender à legislação e dar diversidade ao alunato, sem prejudicar o trabalho pedagógico.

O Porto Seguro, também citado na ação judicial, informou que prioriza irmão de alunos e filho de ex-estudantes. Se sobrarem vagas, considera a ordem das inscrições.

Em nota, a escola citou também que há atividades lúdicas aos alunos e entrevistas às famílias interessadas, mas não informou se o aluno que não atingir as expectativas poderá se matricular.

Último colégio citado na ação, o colégio Nossa Senhora das Graças (Gracinha) definiu que, caso os alunos com vínculo com a escola não preencham todos os postos, os próximos estudantes a serem chamados serão os mais velhos da lista de pretendentes.

O Gracinha já havia entrado em acordo com o Ministério Público Federal em 2007.

Há ainda outros formatos. O Móbile, que no passado já aplicou avaliações, agora afirma usar o sorteio, caso haja mais demanda que vagas.

O colégio Elvira Brandão disse inicialmente que faz avaliação diagnóstica para “analisar se o aluno tem condições de acompanhar o aprendizado”. Após questionamentos da Folha, disse não existir seleção –busca só conhecer os futuros alunos.

DILEMA

As escolas vivem um dilema no momento de escolher novos alunos, afirma o presidente do sindicato dos colégios privados do Estado de São Paulo, Benjamin Ribeiro da Silva.

“Se a escola não tem vaga para todo mundo, precisa selecionar”, afirmou o representante dos colégios particulares. “E colocar a criança numa escola onde ela não consegue acompanhar é um crime.”

Ele disse que, pessoalmente, não concorda com as seleções por mérito, mas afirmou entender os colégios que aplicam.

“Eles são a elite da elite, têm procura enorme, os pais querem a vaga. Vai fazer o quê? Sorteio? A escola deve ter seus critérios.”

Fonte: folha.uol.com.br

Got anything to say? Go ahead and leave a comment!

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Newsletter

E-mail:

Inscrever
Desinscrever

Publicidade