ESPM lança Revista de Jornalismo em parceria com a Columbia School of Journalism

jun 19, 2012 by     No Comments    Posted under: Notícias

O diretor-geral da ESPM-Sul, Richard Lucht, e a diretora do curso de Jornalismo, Janine Lucht, reuniram um seleto grupo de convidados, entre experientes jornalistas do mercado, editores, editores-chefe e diretores de redação para o lançamento da primeira edição da Revista de Jornalismo ESPM, uma parceria com renomada Columbia Journalism Review.

A versão brasileira da publicação que terá circulação trimestral, vai tratar de questões relativas ao jornalismo e à atividade das redações e conta com artigos traduzidos da edição norte-americana, bem como material inédito produzido no Brasil.
Na abertura do encontro, Janine Lucht falou sobre a alegria de compartilhar um momento tão importante para a faculdade de jornalismo e para a comunidade. “É uma satisfação enorme para nós. Para termos uma ideia, somos o segundo País a ter a edição da revista fora dos Estados Unidos. Há 50 anos, a publicação vem aprofundando temas relevantes para o jornalismo”. No evento, também esteve presente o vice-presidente acadêmico da ESPM, Alexandre Gracioso, que referendou a importância da parceria para a instituição. “Este exemplar nos enche de orgulho, e a concretização desta parceria, com o lançamento da revista de jornalismo é a  realização de um sonho que já vinha sendo acalentado há muito tempo. A comunicação e o jornalismo são atividades de extrema importância na sociedade atual e estamos felizes por oferecer mais um alicerce para o bom profissional na área”, comemora.

Para apresentação deste primeiro número, o evento contou com a palestra de ninguém menos do que um dos mais respeitados jornalistas do Brasil, Ricardo Noblat, que falou sobre a liberdade de imprensa e os princípios e valores do jornalismo em tempos de redes sociais. E foi com jeito simples, bem-humorado e sem rodeios que iniciou sua palestra para uma auditório lotado de jornalistas, profissionais de mercado e alunos do curso de jornalismo. Mas, Noblat não fez uma palestra formal e didática, preferiu uma conversa franca sobre o que acredita ser o “bom jornalismo” nos dias de hoje propondo logo um debate. “Acho que estamos perdendo um pouco o interesse em discutir coisas que são fundamentais para o exercício da profissão. Na minha época, a gente discutia os princípios, as regras do jornalismo, hoje estamos muito voltados para as redes sociais, não que isso seja ruim, mas estamos deixando de discutir coisas essenciais, que vão predominar sempre para um jornalismo de qualidade”, ponderou.

Para o jornalista, existem valores que norteiam o jornalismo em qualquer plataforma que não devem ser deixados de lado e elencou alguns deles, como a credibilidade e a escolha das melhores notícias, inclusive no mundo virtual. “É preciso oferecer informações confiáveis, temos perdido muito o rigor com a informação”. Para Noblat, a segunda regra que deveria ser respeitada no jornalismo é identificar somente as notícias que, de fato, merecem a atenção do leitor porque causam impacto, despertam o interesse e geram debates. Outro ponto destacado é a necessidade constante de ofertar notícias realmente novas. “O que vemos hoje são notícias velhas e repetidas”, afirma. Noblat atribuí a isso e também à falta de conteúdos exclusivos, uma certa acomodação dos jornalistas e provocou: “O jornalista tem que ir a fundo, pesquisar, e isso dá trabalho, é mais fácil fazer o velho e conhecido LEAD. Mas não existe nada de boa qualidade que não implique muito trabalho e não apenas repetir uma fórmula, é preciso surpreender o leitor”.

Noblat é um profissional apaixonado, fala com o entusiasmo e a energia de quem não tem medo de inovar. E, para ilustrar tudo isso, compartilhou histórias de sua trajetória profissional como redator-chefe do jornal Correio Brasiliense, contando como inovou e implantou os princípios do bom jornalismo no dia a dia de um jornal até então, conservador e estagnado.

“Acho que muitos dos erros do jornalismo, como a falta de inovação se deve a essa preguiça nossa, ao medo de fazer diferente, e não a fatores externos, os jornalistas temem as mudanças, mais do que os donos dos jornais. Atualmente não vejo nenhuma proposta de jornal desafiadora neste País, nada inovador. Falta disposição para se reinventar”.

Quanto à liberdade de imprensa, destacou a importância de “estarmos do lado do bem”, o que significa que o jornalista deve ser honesto com os fatos, sem manipular as informações se pretende fazer um jornalismo sério. E mais uma vez provocou a reflexão: “Quem disse que existe isenção? Esse conceito de imparcialidade tinha a ver com os donos de jornais que não queriam que os jornalistas tivessem opinião. Eu tenho que ser honesto, embora tome partido. Estar do lado do bem é ser contra a escravatura, contra a ditadura”, afirmou. Também enfatizou a necessidade de reconhecer os erros, premissa fundamental para o bom jornalismo.

O jornalista ainda chamou a atenção para a importância de não somente informar, mas antecipar os fatos, atendendo a expectativa do leitor. Além disso, apresentar o conteúdo de maneira bem acabada e atraente também é imprescindível. Nesse ponto, apresentou capas do jornal Correio Braziliense, que viraram literalmente notícia e renderam alguns prêmios.

A revista – A versão brasileira da publicação que terá circulação trimestral, tratará de questões relativas ao jornalismo e à atividade das redações e conta com artigos traduzidos da edição norte-americana, bem como material inédito produzido no Brasil. No número inaugural, os temas são a inacessibilidade do jornalismo econômico, a relação entre assessorias de imprensa e mídia, a presença dos negros nas redações e o futuro do jornalismo a partir do olhar do diretor-presidente da ESPM, José Roberto Whitaker Penteado. Alberto Dines, que, em 2012, comemorou 80 anos, escreve sobre o imediatismo nas mídias digitais e o prejuízo que provoca ao jornalismo. Já o chairman da Columbia Journalism Review, Victor Navasky, discute o mercado e o jornalismo brasileiros em um artigo exclusivo. A revista poderá ser encontrada em livrarias e por meio de assinatura.

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