Kroton negocia três aquisições e deve superar projeção

abr 24, 2012 by     No Comments    Posted under: Notícias

A Kroton Educacional SA, cujo desempenho no mercado acionário é o melhor do setor neste ano, negocia três aquisições e espera superar sua própria projeção de resultados para 2012 com a entrada de novos alunos. A informação é do presidente da companhia, Rodrigo Galindo.

A empresa, que tem entre seus acionistas controladores a Advent International Corp., pretende expandir suas operações nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste depois da compra da União Norte do Paraná de Ensino Ltda., a Unopar, por R$ 1,3 bilhão, em dezembro. As três aquisições sendo negociadas devem agregar por volta de 15.000 alunos, disse Galindo.

“Existem muitas oportunidades de consolidação no ensino presencial brasileiro e a gente quer aproveitar essas oportunidades de crescimento inorgânico”, disse o executivo em entrevista no escritório da Bloomberg em São Paulo, em 17 de abril.

A Kroton está conseguindo mais alunos que o previsto graças ao programa de crédito estudantil do governo, o Fundo de Financiamento Estudantil. Alunos financiados pelo Fies já representam 33 por cento dos estudantes das faculdades da Kroton, segundo Galindo. O crescimento acima do esperado das matrículas no primeiro trimestre deve levar a Kroton a ultrapassar a previsão de margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, o chamado Ebitda.

A projeção da empresa, desconsiderando a Unopar, era de margem Ebitda de 17 por cento para a área de educação presencial em 2012 segundo o executivo. Esse indicador deve ser “superado um pouco”, disse. A própria expectativa de Ebitda para o ano deve ser revisada, de R$ 285 milhões para cerca de R$ 300 milhões, disse Galindo. As novas projeções, inclusive para geração de caixa e lucro líquido no ano, serão divulgadas junto com o resultado do primeiro trimestre.

A Kroton, resultado de 23 aquisições no setor educacional, é a segunda maior empresa brasileira de educação com capital aberto em valor de mercado, atrás apenas da Anhanguera Educacional Participações SA, segundo dados da Bloomberg. Em 2011, a Kroton fez quatro aquisições, incluindo a da Unopar, com 162.000 alunos. A operação foi parcialmente financiada por uma emissão de R$ 550 milhões em debêntures no começo do ano.

Crédito educativo

A empresa fixou em 50 por cento o teto para participação de alunos vinculados ao Fies no total de matriculados, proporção que pretende alcançar até o segundo semestre de 2013. A média no mercado é ter, por instituição, 8 por cento dos matriculados vinculados ao Fies, disse Galindo. Para atingir esse público, a Kroton conta com uma equipe de cem vendedores especializados em oferecer o sistema.
O Fies permite que alunos de baixa renda cursem o ensino superior em escolas privadas pagando apenas os juros do financiamento educacional, de 3,4 por cento ao ano, durante o período do curso. O principal da dívida começa a ser pago 18 meses após o fim do curso.

A instituição de ensino recebe o valor no mês de vencimento da mensalidade na forma de desconto em impostos ou em dinheiro, por meio de certificados, que são recomprados pelo governo a cada mês. Em caso de inadimplência, a empresa assume 15 por cento do prejuízo e o governo, os 85 por cento restantes.

18 negociações

As três negociações em curso pela Kroton podem custar, somadas, cerca de R$ 90 milhões, disse Galindo. Elas trariam, cada uma, 5.000 alunos, disse ele. No fim de março, a empresa tinha cerca de 323.000 alunos de ensino superior e, em dezembro, aproximadamente 281.000 na educação básica, segundo seu website.

Dessas três negociações, duas já estão em fase de due diligence, segundo o executivo. Nessa etapa, avalia-se mais profundamente contratos, direitos, obrigações e riscos da empresa a ser adquirida.

Desde as mais preliminares, a Kroton mantém negociações com um total de 18 instituições neste momento, disse Galindo. Atualmente a companhia tem cerca de R$ 400 milhões em caixa, disse o executivo.

“Recursos mais do que suficientes para viabilizar essas aquisições e outras que venham a surgir no decorrer do ano e que sejam estrategicamente importantes para a companhia”, disse.

Segundo ele, existem 2.300 instituições de ensino privadas no Brasil, das quais quase 500 “teoricamente interessam” à Kroton, disse ele.

Advent

O investimento no ensino privado brasileiro se tornou atraente e tem sido estimulado pelo crescimento econômico médio de 5,1 por cento nos últimos dois anos. A expansão levou à queda para mínimas históricas no desemprego e à falta de mão-de-obra especializada em vários setores, da construção à tecnologia da informação. Segundo o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, há déficit anual de 20.000 engenheiros no País.

Em 2011, a Kroton fez um aumento de capital de R$ 597 milhões, o que elevou a participação da Advent. O fundo de private equity passou a deter metade do bloco de controle da companhia em 2009, após investimento de R$ 280 milhões na holding controladora, a Pitágoras Administração e Participações SA. Com a adesão da empresa ao Novo Mercado da BM&FBovespa, prevista para outubro, o fundo passará a ser o maior acionista individual da Kroton, disse Galindo.

Hoje, o controle da Kroton é compartilhado entre a Advent e os fundadores da empresa, um grupo de professores de Belo Horizonte, por meio de acordo de acionistas. No Novo Mercado, só são permitidas ações com direito a voto.

Ensino a distância

Outro foco de crescimento da Kroton é o segmento de ensino a distância, que absorveu 146.000 alunos com a aquisição da Unopar. Agora, o objetivo da Kroton é oferecer cursos de pós- graduação a distância já no segundo semestre, além de cursos remotos de línguas e preparatórios para concursos, a partir do primeiro trimestre de 2013, disse Galindo.

Os recibos de ações da Kroton acumulam alta de 40 por cento neste ano até ontem, contra ganho de 10 por cento do Ibovespa. As concorrentes Anhanguera e Estácio Participações SA subiram, cada uma, 27 por cento no mesmo período. Dos 12 analistas que acompanham a Kroton, 10 têm recomendação de compra ou equivalente, segundo consulta da Bloomberg.

Fonte: exame.abril.com.br

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