A USP muda a pós-graduação

abr 11, 2012 by     No Comments    Posted under: Notícias

A Universidade de São Paulo (USP) decidiu reestruturar o sistema próprio de avaliação de seus cursos de mestrado e doutorado, vigente há anos, adotando um modelo parecido com o que vem sendo usado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Com cerca de 26,5 mil alunos de pós-graduação matriculados em seus dez campi, a maior universidade brasileira mantém 308 mestrados e 299 doutorados, e é responsável pela formação de 20% de todos os doutores do País.

No ano passado, a instituição – que tem 5.865 professores, dos quais 84,8% trabalhando em regime de tempo integral – outorgou 3.492 títulos de mestre e 2.338 títulos de doutor. Segundo o Ranking Acadêmico de Universidades do Mundo (ARWU, na sigla em inglês), a USP é a universidade que mais vem formando doutores em todo o mundo. No índice geral, que leva em consideração a qualidade, ela está entre as 150 melhores.

Atualmente, a USP promove uma avaliação trienal de seus programas de pós-graduação, mas não fiscaliza curso por curso. Já a Capes, que é o órgão federal responsável pela pós-graduação no País, avalia não apenas os programas de pós-graduação, mas todos os cursos, atribuindo notas a cada um deles e publicando a lista dos cursos recomendados por sua excelência. Dos 239 programas de pós-graduação oferecidos pela USP no ano passado, 37 receberam a nota máxima da Capes, que vai de zero a sete; 49 ficaram com a nota 6; 85 obtiveram a nota 5; 55 receberam a nota 4; e 13, a nota 3. De 2011 para 2012, foram criados mais 3 programas.

“A USP tem um problema. Ela é grande demais, atua em muitas áreas, diferentemente de outras instituições mundiais de renome. E, por sermos grandes, precisamos de uma avaliação interna como são as externas, só que mais amplas”, diz o pró-reitor de pós-graduação, Vahan Agopyan.

As duas avaliações são complementares. A avaliação interna permite à instituição refinar a avaliação externa, fornecendo informações precisas sobre o que deve ser mudado, em matéria de projetos pedagógicos, linhas de pesquisa e criação de novos cursos. “A avaliação da Capes é excelente, mas a USP tem de definir o que quer”, afirma Agopyan. Segundo ele, em vez de elaborar um ranking de programas de pós-graduação, como faz a Capes, a USP pretende usar a avaliação interna para rever as diretrizes de cada um de seus cursos.

O novo sistema de avaliação ainda está sendo discutido no Conselho de Pós-Graduação, juntamente com a minuta de um novo regimento. A ideia é submetê-lo à votação no colegiado ainda este mês. Se for aprovado, o projeto segue para o Conselho Universitário. Pelas novas regras, que devem entrar em vigor a partir de 2013, as avaliações deixam de ser trienais e passam a ser anuais. As unidades da USP também terão maior autonomia, como forma de estimulá-las a promover uma atualização permanente do currículo dos cursos de mestrado e de doutorado e a elevar o nível de preparo dos pós-graduandos. A ideia é formar mestres e doutores com o “perfil de líder”.

A proposta também prevê que o mestrando ou doutorando seja submetido a uma avaliação, um ano e meio após ter se matriculado na pós-graduação. E, no final do curso e das atividades de pesquisa, antes de ser arguido oralmente por uma banca examinadora, sua dissertação ou tese será objeto de um relatório escrito. A inovação visa a estimular o pós-graduando a se preparar melhor para a arguição. A proposta prevê ainda que docentes sem título de doutor possam, em casos excepcionais, integrar programas de pós-graduação da USP.

Adotada pela Capes, que foi criada em 1951, quando o Brasil contava apenas 60 mil alunos no ensino superior, a avaliação dos cursos de mestrado e doutorado foi decisiva para oferecer professores e cientistas qualificados para as instituições de ensino superior. A comunidade acadêmica sempre reconheceu a importância das avaliações, mas jamais deixou de advertir para o risco de uma burocratização excessiva das atividades docentes e de pesquisa. É esse risco que a USP tem de evitar.

Fonte: estadao.com.br

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