Educação: financiar para crescer

fev 1, 2012 by     No Comments    Posted under: Notícias

O Brasil vive hoje um momento ímpar de sua história. Desde o início deste século, o País vem crescendo vigorosamente, apesar das crises que atingiram o mundo desenvolvido. O bom momento está criando um ambiente estimulante de maior consumo e vem sendo acompanhado pela redução das desigualdades sociais, com milhões de pessoas migrando das classes E e D para o estrato médio, a chamada classe C. Estabilidade económica, programas sociais e expansão do crédito são alguns dos fato-res da transformação do País nas duas últimas décadas e cada vez mais o Brasil atrai investidores de toda parte,- interessados em empreender em uma nação que se coloca como potência global.

O País já não é mais o mesmo de 20 anos atrás. Melhorou muito. Mas, evidentemente, ainda há gargalos que deverão ser superados. Uma das áreas de maior oportunidade é a da educação.

É fato que também neste campo muito se avançou – segundo o Censo da Educação Superior de 2010, as matrículas cresceram 110,1% na última década e os cerca de 6 milhões de universitários representam hoje o dobro do que se verificava em 2001.

Com auniversalização do ensino básico, cada vez mais estudantes conseguem chegar ao ensino superior e com isto verificou-se uma explosão nas matrículas na última década.

Para que este recorde fosse atingido, o aproveitamento da capacidade instalada do setor privado foi fundamental. Da mesma forma que a quantidade de faculdades se multiplicou, o número de universitários triplicou em 15 anos. E é justo dizer que os principais responsáveis por alimentar essa expansão foram as instituições particulares, que representam hoje praticamente 75% do total de matrículas.

O avanço até aqui foi significativo, mas é preciso reconhecer a carência existente no ensino superior. Pouco mais de 15% da população entre 18 e 25 anos cursa algum tipo de universidade no Brasil. Mas, afinal, o que precisa ser feito? No ensino fundamental e médio, a tarefa é melhorar a qualidade e garantir a universalização. Neste particular, os esforços estão sendo realizados pêlos Estados e municípios, com a supervisão do governo federal em diversos programas.

No ensino superior os desafios são ainda maiores e está muito clara a oportunidade presente no Brasil, já que há uma demanda reprimida significativa. Temos visto no País a possibilidade da construção de uma rede educacional ampla, capaz de incorporar os alunos egressos do Ensino Médio, para o País continuar crescendo quantitativa e qualitativamente. Também entendemos que a expansão das matrículas deve ser acompanhada de intensa busca por um ensino de qualidade, do contrário o estudante não alcançará seus objetivos.

Analisando os números do ensino superior, fica evidente que a grande alavanca pode ser o financiamento estudantil. O Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) do governo federal, tem incentivado o acesso de estudantes à universidade. Dados do MEC apontam que, em 2010, aproximadamente 76 mil alunos foram beneficiados pelo programa e, em 2011, cerca de 150 mil. Ainda é pouco, mas há um avanço.

As iniciativas governamentais são louváveis, mas a verdade é que ainda não dão conta, e nem poderiam, da enorme oportunidade existente. A questão do financiamento ao estudante do ensino superior é crucial porque educação de alta qualidade custa dinheiro e há no Brasil um contingente de pessoas que gostaria de realizar o sonho de um diploma universitário, mas que não tem recursos para se sustentar e pagar a faculdade. Um público que gostaria, sim, de investir na formação educacional.

De acordo com dados do National Center for Educatiort Statistics, os EUA têm cerca de 4,5 mil instituições de ensino superior e mais de 20 milhões de universitários. O país é um exemplo do quanto um modelo estruturado de crédito educacional pode contribuir para o acesso dos estudantes à universidade – lá 95% dos alunos de ensino superior contam com alguma forma de financiamento. O empréstimo federal, modelo mais praticado no país, responde por mais de 50% do total de subsídios.

Para que o Brasil avance no sentido de se tornar uma nação em que a população seja educacionalmente qualificada, portanto, é preciso ampliar os meios de financiamento estudantil, seja pêlos programas existentes, que precisam ser mantidos, seja pela criação de novos projetos, inclusive envolvendo instituições financeiras privadas.

O mundo está mudando, se tornando mais competitivo e o diferencial da educação é e será fundamental para que os países se tornem mais prósperos. O Brasil está no rumo certo e não pode desperdiçar a chance e nem perder o bonde da história.

Fonte: economia.estadao.com.br

Got anything to say? Go ahead and leave a comment!

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Newsletter

E-mail:

Inscrever
Desinscrever

Publicidade