Presidente do Insper fala sobre os projetos da instituição

jan 4, 2012 by     No Comments    Posted under: Gestão Educacional, Notícias

Em entrevista Cláudio Haddad, presidente do Insper, fala sobre o processo de obtenção do certificado da AASCB, de realizações e projetos da instituição.

 

Um lugar entre os melhores

 

Foto: Portal Insper

Em pouco mais de um decênio, o Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) tornou-se uma das mais bem reputadas escolas de economia e negócios do Brasil. Nada mal para uma instituição que, nos três primeiros vestibulares realizados, tinha mais vagas que candidatos em um dos cursos de graduação, o de economia.

 

Hoje, a sede de 10 mil metros quadrados, situada em uma pacata rua do bairro paulistano da vila Olímpia desde 2006, ficou pequena e obras já estão em andamento para praticamente dobrar o tamanho das instalações. Mas, segundo o presidente do Insper, Cláudio Haddad, mais que a expansão quantitativa, a instituição procura crescer em outra dimensão: quer se fazer conhecida internacionalmente, ser comparada às grandes escolas de seu gênero no mundo.

 

Um passo importante nessa direção foi dado no ano passado, com a conquista da acreditação da The Association to Advance Collegiate Schools of Business (AACSB), a entidade norte-americana mais reputada no credenciamento de escolas de negócios. No meio do processo, em 2007, recebeu outra importante certificação internacional, essa da The Association of MBAs (AMBA), organização inglesa que certifica programas de MBA.
Na entrevista que se segue, concedida ao editor contribuinte Jaime Matos, Cláudio Haddad fala sobre o processo de obtenção do certificado da AASCB, de realizações e projetos da instituição.

 

Como a acreditação conquistada junto à AACSB ajuda o Insper?
Cláudio Haddad : Somos uma instituição brasileira, mas queremos ser comparáveis às escolas internacionais. Foi por isso que, em 2004, decidimos pedir a acreditação da AACSB. Existem apenas 600 acreditadas, entre as milhares de escolas de negócios do mundo inteiro. Somos 13 na América Latina, das quais duas no Brasil (a outra é a Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, acreditada desde 2000). Com a acreditação, melhoramos muito a qualidade da gestão, ao seguir padrões estabelecidos pela entidade. No que estávamos aquém, fizemos ajustes até chegar ao ideal.

 

Foi longo esse processo de adaptação?
Começou efetivamente em 2005 com uma autoavaliação do Insper em face de 21 padrões estabelecidos pela AACSB, que cobrem basicamente três grandes campos: 1) estratégico, que tem a ver com a missão, a governança, os processos; 2) participante, que abrange corpo docente, alunos, staff e mais a política de atração, retenção e promoção de professores e alunos; 3) segurança no aprendizado (tudo relacionado ao ensino e ao aprendizado na escola). Identificamos lacunas que tínhamos que preencher para atender às melhores práticas. A partir daí, a AACSB alocou um mentor para nos orientar – Gary Giamartino, reitor da escola de negócios da Southern Illinois University. O processo se estendeu até 2009 e envolveu 72 ações, coordenadas por um grupo de trabalho que mobilizou professores, alunos, ex-alunos e também integrantes de nossos fóruns, como o conselho.

 

Qual foi a avaliação final da AASCB?
Fizemos um relatório e enviamos à AACSB, que o aceitou, e designou uma comissão para observar
in loco, em agosto do ano passado, o que tínhamos feito. A comissão passou alguns dias aqui, concluiu que havíamos nos adaptado e recomendou nossa acreditação, que foi ratificada pelo conselho da AACSB em 23 de dezembro do ano passado. Em alguns casos, segundo o relatório da comissão, estamos na frente da maioria das outras escolas.

 

Esse novo desenho, obtido pelos ajustes feitos, está sendo monitorado?
A escola tem de ser recredenciada a cada cinco anos e os padrões da AACSB ficam mais rígidos a cada ano. Temos um compromisso implícito em toda a instituição – pois é claro que não queremos perder a acreditação – de melhorar constantemente para atender às novas exigências. Esta é uma mensagem muito importante que passamos à comunidade: estamos em busca da melhoria contínua da qualidade. Em termos práticos, realizaremos a partir de agora uma reunião semestral para acompanhar as ações. Há um envolvimento contínuo, o que nos dá uma orientação, nos ajuda a caminhar com as demais escolas acreditadas. É certo que no Brasil temos o processo de avaliação do MEC, mas é bem diferente – e certas áreas, como o ensino de negócios, não são prioridade. Nossos cursos de MBAs são lato sensu, são muito pouco regulados. E a questão da qualidade de ensino também é um assunto complicado, pois é relativamente fácil montar um curso de MBA; os nossos rankings são imprecisos como todos os outros, mas no Brasil, particularmente, as informações não são muito transparentes. É importante que haja esse selo externo de qualidade.

 

O credenciamento outorgado pela AACSB melhora a relação do Insper com as congêneres do exterior?

O fato de sermos credenciados facilita muito a associação com outras escolas do mundo, para programas conjuntos e para o intercâmbio de alunos. As escolas de fora têm muito pouca informação sobre o Brasil; então, o credenciamento mostra-lhes que seguimos as melhores práticas. A grande preocupação das escolas do mundo é se internacionalizar, atrair mais alunos estrangeiros, se associar com outras escolas.

 

Como os empresários participam da vida do Insper?
A presença deles é maior na Comissão Externa de Avaliação (CEA) da escola, constituída por pessoas de destaque em várias áreas de atuação. É uma mistura de educadores, acadêmicos, profissionais ligados a recursos humanos e empresários. Essa comissão, que se reúne uma vez por ano, normalmente lida com três problemas estratégicos importantes da escola. Mas as empresas também participam do Conselho Deliberativo (órgão máximo da administração da escola). Além disso, realizamos eventos, para os quais convidamos empresários e outras personalidades e, finalmente, as empresas entram aqui por meio dos cursos de educação executiva. Dessa forma temos um feedback contínuo.

 

Qual é a importância, para o Insper, dos programas fechados, realizados a pedido de empresas? 

Essa é uma área à qual demos ênfase maior nos últimos cinco anos, mas está crescendo muito e representa hoje de 12% a 15% da receita – mas pode crescer mais. Além de gerar receita, é uma maneira de nos aproximarmos mais das empresas. Uma escola precisa saber o que está se passando no mundo, precisa saber no que as empresas estão interessadas e o que pode fazer para suprir tais interesses.

 

Algum exemplo recente?
Agora estamos muito empenhados em fazer com que os alunos, principalmente da graduação, desenvolvam o pensamento crítico em resolução de problemas. Essa orientação é fruto de perguntas, contatos e reuniões que tivemos com empresas para saber quais faltas estavam identificando nas pessoas que estavam contratando – e pensamento crítico estava entre as competências mais difíceis de encontrar. Temos também um novo projeto, chamado Resolução Eficaz de Problemas (REP), pelo qual todos os alunos de administração vão passar no sexto semestre.
Os alunos, divididos em oito grupos de cinco – cada um com um mentor – vão estudar e propor soluções para problemas reais, de empresas reais.

 

O que é fundamental em uma escola de negócios?

Em primeiro lugar, ter uma missão clara – o que a escola pretende ser, o que pretende fazer, que público quer atender, que qualidade quer oferecer. E o projeto, é claro, deve ser coerente, a escola precisa ter capacidade de se sustentar financeiramente dentro de seu modelo. Na parte do ensino propriamente dito, é fundamental conseguir dosar conteúdo teórico nos cursos básicos ao desenvolvimento de competências que são muito úteis para a vida profissional do aluno: pensamento crítico, capacidade de argumentação, capacidade de apresentação, capacidade de interação com as outras pessoas e, consequentemente, capacidade de liderar grupos. Não se trata apenas de ensinar finanças, estratégia, econometria. É preciso desenvolver a capacidade analítica.

É preciso ter gente boa para fechar um círculo virtuoso: contratar o bom professor, que atrai outro bom professor para a escola, que atrai o bom aluno, que atrai outro bom aluno. Sem professores competentes e alunos interessados, é impossível montar uma grande escola.”
Como chegar lá
As etapas para uma escola de negócios pleitear – e obter – acreditação pela AACSB.
1- Autoavaliação – check-up de conformidade a 21 critérios em três campos
– estratégico
– participante
– segurança de ensino

2- Identificar lacunas a preencher

3- Planejamento e execução de ações para adequação (preenchimento das lacunas) com ajuda de um mentor designado pela AACSB

4- Composição de um grupo de trabalho – professores
– staff
– alunos e ex-alunos
– conselho

5- Elaboração do relatório

6- Observação in loco por parte de uma comissão da AACSB

7- Ratificação e aceitação pela AACSB

8- Monitoramento reuniões semestrais

9- Reavaliação a cada cinco anos

 

 

Fonte: Revista Harvard Business Review

2011

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