IES reformulam cursos de MBA

jan 2, 2012 by     No Comments    Posted under: Destaque, Gestão Educacional, Notícias

Gestão de pessoas, carreira, valores e crenças passam a ser tão importantes quanto módulos de cálculos e de projetos nos cursos de educação executiva.

 

No lugar das habilidades técnicas, valores

Cálculos, metas, índices, resultados. Depois de um longo período em que tudo o que importava eram as competências mensuráveis, os cursos de MBA estão sendo reformulados e, agora, ganham foco maior no chamado “comportamental“. Para tanto, vale incluir disciplinas que discutam em sala de aula desde a boa e velha gestão de pessoas até mesmo valores e crenças pessoais.

 

O movimento, na avaliação de Silene Magalhães, gerente-coordenadora dos programas de pós-graduação da Fundação Dom Cabral, é um reflexo do colapso econômico mundial de 2008.

 

“Com a crise houve um mergulho das principais escolas que fazem educação executiva sobre o papel do MBA na educação dos executivos – tão orientados para o resultado financeiro que contribuíram para o episódio. Daí essa preocupação dos cursos em atingirem um equilíbrio maior entre o que é ferramental e o comportamental.”

 

Em uma discussão de grupo com dirigentes de empresas feita pela Trevisan Escola de Negócios, um presidente reclamou que, apesar de sua equipe ser formada por ótimos técnicos, eles não tinham valores alinhados aos da empresa. “Essa foi uma demanda unânime apontada pelas companhias que ouvimos”, conta Olavo Henrique Furtado, coordenador dos cursos de pós-graduação e MBA da Trevisan . “Em função da crise, as empresas também começaram a questionar o preço dos cursos, já que seus profissionais não conseguiram prever o evento.”

 

Esses dois fatores fizeram com que a Trevisan reformulasse todos seus cursos, agora estruturados em três eixos: capacitação técnica habilidades para ação do executivo e do gestor e valores, crenças e atitudes.

 

Mas será possível um MBA transmitir valores a um alto executivo? Furtado diz que o processo não é bem assim.

 

“Escola não é família, isso vale tanto pra graduação quanto para a pós. O papel da instituição de ensino é ajudar o executivo a mapear seus valores e verificar como eles podem se encaixar na empresa onde trabalha. Se os valores do profissional não batem com os da empresa, não dá.”

 

Licinio Motta, diretor geral da unidade de Pós-Graduação da ESPM-SP, concorda: as escolas estão caminhando cada vez mais para o desenvolvimento das “soft skills”, o que significa a gestão de pessoas, do indivíduo e a capacidade de inovação.

 

“A grande tendência é falar em carreira e apoio ao desenvolvimento da carreira. Não adianta só dar os melhores livros e cases, se não dermos coaching ou criarmos possibilidades de gerar networking.”

 

Entre muitas opções de MBA, a FGV estreia este ano um curso que, na verdade, propõe-se ser a antítese dos programas clássicos. O objetivo, segundo a entidade, é privilegiar as capacidades práticas e reflexivas dos participantes.

“Trata-se de um mestrado internacional que abraçou as economias emergentes sob uma perspectiva baseada no intercâmbio transcultural e na aprendizagem, ao invés da transferência unilateral de conhecimento”, explica Flávio Carvalho de Vasconcelos, diretor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE/ FGV).

 

Dentro destas tendências, aparecem cursos focados na gestão de pessoas, em liderança, e programas que levam em conta o fator humano, como a construção da carreira. Já para atender a demandas do mercado mais imediatas, geradas pelo aquecimento de setores específicos da economia, surgem MBAs voltados para a gestão do esporte e do marketing digital. Em geral, as aulas começam do meio do ano pra frente, mas as inscrições já estão abertas, uma vez que o processo seletivo costuma demorar meses. Confira algumas opções:

 

Business School São Paulo (BSP)

 

MBA em Gestão de Pessoas e Liderança: O curso promete combinar a aplicação de conteúdos estruturados em técnicas modernas de gestão com competências interpessoais e habilidades comportamentais para que os alunos formem equipes de alto desempenho, alinhadas às estratégias e aos objetivos das organizações.

 

Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)

 

MBA Executivo ESPM: Além das matérias obrigatórias, como marketing, finanças, operações e processos, a instituição fez adaptações ao curso, que agora conta também com um cardápio de disciplinas comportamentais. Um teste no processo de aprovação avalia o modelo de comportamento do candidato – se ele é mais ligado a pessoas ou prefere trabalhar sozinho, por exemplo. A orientação é feita por meio de uma devolutiva com um professor. Eventos para a promoção de network também foram reforçados na repaginação do curso.

 

Fundação Dom Cabral (FDC)

 

MBA Empresarial: A repaginação do curso oferecido pela fundação teve como objetivo transformar o programa de sala de aula em um programa “de vivência”. Por isso, entram na grade atividades em viagens a lugares como Ouro Preto e Inhotim, em Minas Gerais. O curso foi organizado em três pilares principais: indivíduo na sociedade (com um conjunto de disciplinas, de filosofia a estratégia da gestão), humanidades e um mapa do mundo dos negócios. O MBA inclui até mesmo um projeto de autogestão da saúde, com acompanhamento durante todo o curso, e trabalha o tema da sustentabilidade.

 

Fundação Getúlio Vargas (FGV)

 

International Masters in Practicing Management (IMPM): O principal curso para educação de executivos da FGV e na verdade um antiMBA. Co-fundado há 15 anos por Henry Mintzberg, influente pensador da administração, o mestrado internacional é realizado por cinco instituições acadêmicas: McGill (Canadá), Lancaster (Inglaterra), IIMB (Índia), Renmin University of China (China) e, agora, a EBAPE/FGV (Brasil). Em vez de discutirem os estudos de caso e os modelos clássicos, os alunos compartilham experiências e se engajam com diferentes tipos de gestão e tradições acadêmicas ao longo de um ano e meio, em temporadas de duas semanas em cada um dos países que sediam as instituições parceiras.

 

Anhembi Morumbi

 

MBA em Gestão e Marketing de Entidades Esportivas: Com a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 sendo sediadas no Brasil, o setor irá demandar profissionais qualificados. De olho nesta demanda, a universidade montou um MBA para preparar executivos com as competências e habilidades necessárias para a gestão esportiva.

 

Trevisan Escola de Negócios

 

MBA Marketing da Era Digital: A instituição identificou uma forte demanda das empresas na gestão de seus vários canais de comunicação online e montou um curso especializado no tema. Outros MBAs que buscam atender novos movimentos de mercado são os de Gestão de Marcas, Gestão Educacional, Gestão e Marketing Esportivo e Governança Corporativa.

 

 

Fonte: Época Negócios

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