Não faltam vagas nas faculdades – falta…

dez 15, 2011 by     No Comments    Posted under: Destaque, Notícias

Nos anos 1960, quando a geração da presidente Dilma Rousseff saía às ruas em passeata, os estudantes brasileiros queriam mais vagas nas universidades públicas. Meio século depois, a paisagem é muito diferente. A rede privada cresceu e hoje responde por dois terços das vagas no ensino superior. O governo subsidia o ensino para estudantes de baixa renda. Na atual situação, há vagas de mais e estudantes de menos.
O Ministério da Educação anunciou na semana passada a eliminação de 35 mil vagas nos cursos de saúde, que incluem medicina, fisioterapia, enfermagem. É a primeira etapa de um processo que extinguira 50 mil vagas em cursos mal avaliados. Detalhe: nada menos de 73% das vagas extintas nem sequer haviam sido preenchidas, por falta de alunos interessados ou incapazes de assistir à aula.
A expansão recente do ensino superior não foi planejada. Ocorreu como consequência necessária do crescimento económico e assumiu um aspecto desorganizado, por causa principalmente de uma prolongada omissão do Estado.
Estimulada pela perspectiva de conseguir empregos melhores, uma parcela cada vez maior de brasileiros forçou a abertura de escolas em que pudessem qualificar-se para o mercado de trabalho, criando um mercado que não existia.

Surgiram algumas poucas escolas de ótimo nível, muitas de padrão razoável e algumas péssimas. Ao suprimir vagas nesses últimos estabelecimentos, o Ministério da Educação dá um sinal correto: o padrão de nossas faculdades não pode ficar abaixo de determinado patamar. Não é possível atender à demanda das empresas por mão de obra com “fábricas de diploma” que quase nada têm a oferecer, além de profissionais munidos de títulos que pouco significam.
É preciso apoiar a atitude do MEC ao fechar os cursos ruins. Mas o trabalho não pode parar aí. Cursos superiores com foco definido e duração mais curta, sobretudo nas áreas técnicas, devem ser estimulados. E é preciso, acima de tudo, elevar a qualidade do ensino médio da rede pública, origem de boa parte das dificuldades de nosso ensino superior.

Alunos que chegam mal formados à universidade acabam por prejudicar a formação de toda a turma, pois o ensino acaba nivelado por baixo, e a classe é obrigada a correr atrás de conhecimento perdido em vez de aprender o currículo apropriado. Se o país da Dilma estudante ocupava-se com a quantidade de alunos nas escolas e nas universidades, o da Dilma presidente deve dar prioridade absoluta à qualidade.

Fonte: revistaepoca.globo.com

Got anything to say? Go ahead and leave a comment!

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Newsletter

E-mail:

Inscrever
Desinscrever

Publicidade