Escolas tem reajuste acima da inflação

nov 27, 2011 by     No Comments    Posted under: Destaque

Escolas privadas voltam a reajustar as mensalidades acima da inflação

 

Como ocorreu no ano passado, as escolas particulares de São Paulo reajustaram suas mensalidades para 2012 acima da inflação. Há casos em que o aumento foi de quase 20% do preço pago durante este ano. A maior parte dos colégios afirma que os acréscimos se devem aos gastos com a folha de pagamento e com investimentos em infraestrutura, especialmente em tecnologia.

 

 

O Estado consultou 24 escolas paulistanas – algumas delas em altas posições do ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – sobre os reajustes em diversos anos do ensino fundamental e médio.

 

Na semana passada, reportagem do Estado relatou a polêmica entre os pais dos alunos do Colégio Visconde Porto Seguro, cujo reajuste do 9.º ano chegou a 15%, de acordo com a escola. A instituição diz que o aumento se deve aos investimentos pedagógicos e também à mudança na lei de isenção fiscal de fundações como a que administra o colégio.

 

Há aumentos que chegam a 19,47%, como é o caso do ensino fundamental 2 do Colégio Sion. A escola afirma que o aumento da carga horária e a implementação de algumas disciplinas – inglês na educação infantil até o 5.º ano e redação e geometria de 6.º ao 9.º ano. O valor acumulado da inflação (IPCA-IBGE) nos últimos 12 meses, divulgado ontem, é de 6,97%.

 

Também há, entre as escolas, reajustes diferentes em cada etapa de ensino. Mesmo assim, a justificativa mais comum entre elas são os gastos com a folha de pagamento. “Cerca de 85% da receita vai para a folha de pagamento”, afirma Silvio Barini Pinto, diretor do Colégio São Domingos, onde o reajuste – de 10,2% – é discutido em um conselho do qual as famílias fazem parte.

 

A correção salarial do corpo docente, segundo as escolas, também pesa nos gastos. “O dissídio dos professores só vem em março, e em uma época de aceleração da inflação como essa, não dá para prever o que vai acontecer”, diz Fernando Caiubi, mantenedor do Colégio Elvira Brandão, onde o reajuste foi de 10%.

 

A escola também destaca os investimentos em tecnologia como fatores que pesam no orçamento. É o mesmo caso de colégios como o Bandeirantes.

 

“Estamos com o projeto de colocar o prédio todo em rede, além de aumentar o uso dos tablets”, afirma o diretor-presidente Mauro Aguiar, que também aponta a participação nos lucros dos funcionários como outro fator, além do aumento salarial.

 

Ainda segundo os colégios, os gastos com infraestrutura e manutenção dos prédios também influenciam. “Existem custos com materiais, construções e melhoria das instalações, por exemplo”, diz Maria de Lourdes Trevisan, diretora administrativa do Colégio Oswald de Andrade, cujo reajuste chegou a 9,7%.

 

 

Para o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), os reajustes das escolas consultadas pela reportagem está acima da média. “Realmente, índices de 12% a 15% são bem acima do que prevemos”, afirma José Augusto Lourenço, vice-presidente da entidade, que havia previsto aumentos entre 8% e 10%.

 

Segundo ele, as escolas que não reajustarem suas mensalidades em pelo menos 10% podem ter prejuízos no ano que vem. “Além da inflação, investimentos e dissídio, existem fatores como a inadimplência e a própria economia mundial, que está em uma situação complicada. As escolas que não aumentarem podem não aguentar no ano que vem”, diz Lourenço.

 

Fazendo as contas

Para os pais, o aumento na mensalidade exige fazer adaptações no orçamento da amília. “Tem de controlar e negociar como filho o aumento da mesada ou a compra de lguma coisa nova, por exemplo”, afirma Mônica Jorge, mãe de um aluno do ensino édio do Colégio São Domingos, em Perdizes. Ela é um dos pais que fazem parte do conselho do colégio, onde se discute a planilha de gastos e os aumentos. “Um reajuste de 10%, como é o de agora, em valores absolutos, é alto. Mas, pelo serviço oferecido pela escola, os pais se sentem confortáveis em pagar.”

 

Na casa da administradora Mônica Issa, que tem dois filhos no ensino fundamental a Escola Carlitos, em Higienópolis, também são feitos alguns “ajustes” para pagar a educação das crianças. “Não tem jeito, a gente tem de cortar algumas coisas, como viajar para o exterior ou mesmo trocar de apartamento, para poder investir nelas”, conta. O reajuste nas mensalidades da escola, que oferece ensino semi-integral, foi de quase 12%.

 

 

 

Fonte: Mariana Mandelli – O Estado de S.Paulo

Claudia Jordão e Flora Monteiro – Veja São Paulo

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