Reitores debatem futuro do MBA

nov 3, 2011 by     No Comments    Posted under: Destaque, Notícias

Em uma rara reunião no Brasil, os reitores das principais escolas de negócios do país deixaram seus afazeres para compartilhar experiências. Na mesma mesa, Fundação Dom Cabral, Fundação Getulio Vargas, Ibmec RJ, Insper e Instituto Coppead discutiram o futuro do ensino executivo.

Na pauta, a concorrência com as escolas estrangeiras, a proliferação de cursos de MBA pouco qualificados, o financiamento de alunos pelas empresas, a dificuldade de encontrar professores com perfil adequado e de angariar doações.

O convite para a reunião partiu dos reitores da americana Tuck e da espanhola IE Business School, que vêm promovendo mesas-redondas em vários países para discutir as melhores práticas desse tipo de instituição. Encontros semelhantes aconteceram em Paris, Budapeste, Frankfurt, Xangai, Londres e México. A etapa brasileira aconteceu na semana passada, em São Paulo.

“O Brasil vive uma janela de oportunidades e não sabemos até quando ela vai durar”, disse Maria Tereza Fleury, diretora da Eaesp- FGV, referindo-se ao crescimento do mercado de ensino do país, em especial no nível superior. Na área executiva, ela afirma que a competição está cada vez mais acirrada. Afinal, além da tradicional disputa entre as escolas públicas e privadas, as instituições internacionais também decidiram “caçar” alunos no país. “Queremos ser parceiros dessas escolas, desenvolver ideias, pesquisas e não apenas ‘fornecer’ estudantes”, diz.

Para a maior parte dos reitores, as escolas consideradas de “elite” estão conseguindo aproveitar os bons ventos da economia no país e a maior demanda pela formação de líderes. Segundo eles, o problema são as instituições que estão surfando essa mesma onda sem oferecer um aprendizado de bom nível. “De um lado temos as mais relevantes e do outro as mais baratas. O problema são as que estão nesse meio”, diz Flavio Vasconcellos, da FGV. Para Cláudio Haddad, do Insper, o Brasil enfrenta problemas parecidos com os dos Estados Unidos nesse sentido. “O mercado está crescendo rapidamente, mas muito mais no segmento de menor qualidade”, afirma.

O reitor de Tuck, Paul Danos, diz que, em seu país, a crise financeira está atingindo com mais intensidade esse tipo de escola de negócios. Ele revela, inclusive, que já existe uma pressão para que os benefícios concedidos às escolas “top” americanas sejam reduzidos. “Fala-se muito sobre taxar as doações, por exemplo. Mas essa deve ser uma decisão política”, diz.

Na busca por diferenciação, os reitores chegaram até a falar sobre a criação de uma nova sigla para definir o MBA tradicional, que ensina administração e negócios. Outra ideia é formar uma entidade capaz de defender os princípios desses cursos. “O Brasil é um dos únicos países onde uma pessoa pode ser formada em diversos MBAs como em finanças, em marketing, em direito e assim por diante”, diz Van Dick Silveira, do Ibmec -RJ. O fato de o curso ser lato sensu – e não stricto sensu como acontece nos EUA- permite, segundo os reitores, que exista esse tipo de distorção na sua proposta original.

Outro tópico levantado foi em relação ao financiamento de alunos. Em algumas escolas, os reitores relatam que os estudantes estão cada vez mais pagando seus próprios cursos de MBA. No Ibmec RJ, por exemplo, cerca de 90% dos estudantes eram bancados por suas companhias nove anos atrás. Hoje, esse percentual caiu para 35%, sendo que o financiamento atinge até 50% dos custos, segundo Silveira.

Santiago Iñiguez, reitor da IE Business School, diz que na Europa a situação é parecida, mas muito por conta da crise financeira. Na Fundação Dom Cabral, o cenário é diferente. Segundo Paulo Rezende, praticamente todos os alunos são patrocinados por suas empresas. Ele acredita que a ênfase dada aos cursos executivos motiva este tipo de financiamento. O dilema para ele é outro. “Estamos tentando equilibrar o conceito com o contexto”, diz. Rezende explica que as empresas querem que os alunos tenham uma boa vivência prática voltada para o seu negócio nos cursos. Os estudantes, por sua vez, estão preocupados em aprender conceitos que os ajudem a atuar em qualquer empresa no futuro, não necessariamente apenas na que está investindo em sua formação.

Em relação aos professores, a questão apontada pelos reitores é conseguir encontrar aqueles que reúnam qualidades de pesquisador e docente. “Muitas vezes os mais acadêmicos têm dificuldade de se relacionar com os que dão aulas. Tentamos reunir esses dois grupos, mas não é fácil”, diz Maria Tereza, da FGV.

Como único representante do setor público, o Instituto Coppead, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que o maior desafio para as escolas públicas é justamente o de atrair professores. “Temos que contratar por meio de concurso, em processos muito burocráticos e que podem levar meses. Além disso, não podemos oferecer salários tão competitivos”, diz Kleber Figueiredo, do Instituto Coppead. O fato de estar localizado no Rio de Janeiro é um agravante a mais, pois o custo de vida na cidade está subindo muito por conta da Olimpíada e da Copa do Mundo. “Muitos dizem que a Coppead é um milagre”, brinca. Uma ironia, levando em conta que a escola de negócios está sempre entre as melhores do mundo nos principais rankings internacionais.

Em relação a doações, os reitores brasileiros afirmam viver uma realidade muito distante das grandes escolas americanas. Haddad, do Insper, que conseguiu levantar uma soma considerável junto a fundos de investimento para erguer o novo prédio da escola em 2006 – em torno de R$ 30 milhões -, diz que esse ainda é um trabalho hercúleo. “Para instituições sem fins lucrativos como a nossa, as doações são muito importantes. Como esse não é um hábito que faça parte da nossa cultura, ele ainda precisa ser desenvolvido”, ressalta.

Fonte: valor.com.br

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