O voo da educação

out 23, 2011 by     No Comments    Posted under: Destaque, Gestão Educacional

Grupos financeiros aumentam investimento no ensino superior, de olho na ascensão das classes sociais

Ricardo Grau, da Anhembi  Morumbi:

De 32 mil vagas para 70 mil até 2016 em 13 campi em São  Paulo

 

 

A expansão da economia tem feito o País encarar a falta de investimento público na área de educação e, agora, corre atrás do prejuízo para evitar o que já se convencionou chamar de apagão de mão de obra. O Brasil vive, atualmente, da “mão para a boca” para preencher a oferta de postos de trabalho nos mais variados segmentos, principalmente de vagas mais qualificadas. A dificuldade, porém, criou oportunidades de negócios para as empresas que decidiram assumir a dianteira na oferta de vagas para a formação superior. Só na mês passado, dois grupos de educação foram às compras. O lance mais ousado foi dado pelo grupo Anhanguera, de São Paulo, que adquiriu a rede Uniban por R$ 510 milhões. Também a Kroton Educacional anunciou sua terceira aquisição este ano.

 

 

Atualmente, a educação superior movimenta R$ 28 bilhões por ano no País, com  2.160 instituições privadas, três vezes mais do que nos anos 1990. Grande parte  dessa expansão é fruto do investimento maciço feito principalmente por grupos  financeiros que entraram no controle das universidades, com a desregulamentação  do setor em 1998.

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Das 15 maiores instituições de ensino no País por faturamento,  nove têm a participação de fundos, explica Ryon Braga, presidente da Hoper  Consultoria em Educação, do Paraná. “Eles ajudaram a aumentar o número de  universitários de 1,8 milhão, em 1998, para os atuais seis milhões de alunos”, diz Braga.

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A maior parte dos grupos privados buscou escala com fusões e  aquisições, ampliando a oferta de vagas para as classes C e D. Um dos fatores  decisivos para o maior acesso dos filhos da classe média emergente foi a  combinação virtuosa do aumento de renda da população com a redução das  mensalidades, cujo valor médio caiu de R$ 980 para R$ 457, propiciada pelo  aumento da concorrência no setor.

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A despeito da crescente participação dos alunos egressos das faixas  populares, algumas instituições optaram por competir como marcas premium, para  atender às classes A e B+, com mensalidades mais salgadas, mas com ofertas de  cursos diferenciados e infraestrutura de última geração.
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É o caso da Anhembi  Morumbi, que oferece hoje 130 cursos, incluindo gastronomia, design e aviação  civil, em salas dotadas de equipamentos de última geração, com mensalidades  acima de R$ 1 mil, mais do que o dobro da média do setor. O curso de aviação,  por exemplo, conta, inclusive, com um simulador de voo Boeing 737 NG, similar  aos utilizados pelas companhias aéreas. A Anhembi Morumbi também está ampliando  a oferta de vagas, com o aumento do número de campi na cidade de São Paulo: o  objetivo é sair das atuais seis faculdades e 32 mil alunos, para 13 campi e 70  mil alunos até 2016.
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 “Estamos reforçando, também, a grade de cursos para atender  à demanda do mercado brasileiro”, diz Ricardo Grau, CEO da Anhembi Morumbi, que  não revela o valor do investimento. Sabe-se apenas que um dos campi a serem  inaugurados até o final do ano custou cerca de R$ 10 milhões.
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A Anhembi Morumbi tem como parceiro, desde 2005, a Laureate, empresa de  educação, que participa também do controle de outras nove universidades fora de  São Paulo, como a Uninorte, em Manaus, e a Universidade Potiguar, no Rio Grande  do Norte. Estima-se que a Laureate, cuja a composição acionária é  formada por um consórcio de investidores instituicionais, venha a investir R$ 1  bilhão até 2015 no Brasil, um dos 28 países em que atua, incluindo China,  Estados Unidos e Suíça. O COO da Laureate, José Loureiro, não confirma  o valor a ser aplicado, mas admite que o Brasil tornou-se um mercado decisivo. “Temos 130 mil alunos no País, ou 20% do total, que estão sob o guarda-chuva da  Laureate”, diz Loureiro.
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Outro grupo empresarial que se posiciona no segmento  premium é o Ibmec, do Rio de Janeiro, que está associado ao fundo americano  Kapital Group, e conta hoje com três campi de graduação e pós em Minas Gerais,  Rio e Brasília, além de nove escolas parceiras em pós-graduação, em cursos como  economia e administração.
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“Pelo menos 15 cidades no País comportam escolas como  o Ibmec”, diz Vandyck Silveira, CEO do grupo. A meta é ampliar o número de  alunos de 13 mil para 40 mil num período de cinco a sete anos. “Não importa o  prazo, queremos manter a qualidade que diferencia nossos alunos e lhes garante  alto grau de empregabilidade”, afirma Silveira.
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É a capacidade do mercado de absorver os recém-formados que deve nivelar  daqui para a frente as universidades privadas, avalia Braga, da Hoper. “Em  breve, o mercado vai filtrar os candidatos que estudaram em escolas que agregam  menor valor”, diz Braga. Isso porque uma mensalidade pode variar de R$ 120 até  os R$ 3 mil cobrados pelo Ibmec, dependendo da estrutura oferecida. No caso do  Ibmec e da Anhembi Morumbi, a diferenciação ocorre, por exemplo, com a oferta de  intercâmbio em escolas de fora do País ou investindo nos cursos onde há mais  carência de profissionais, como engenharia. “Nossa primeira turma de engenharia  começará em 2012”, diz Silveira, do Ibmec. Todo esforço do setor privado,  entretanto, é incapaz de suprir a carência por mão de obra especializada de  nível superior que existe hoje em áreas como energia, petróleo e tecnologia.  Outra falha grave que parece longe de ser resolvida é a quantidade de alunos  carentes que não conseguem acessar o ensino superior.
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O governo criou mecanismos que auxiliaram o acesso dos alunos de menor  poder aquisitivo com a oferta de crédito educativo mais barato de programas como  ProUni e Fies, mas ainda insuficiente. Segundo o consultor  Braga, embora  esse tipo de política seja importante, o contingente de bolsistas representa  apenas 10% das vagas no ensino superior privado. “É muito baixo, comparando-se  com outros países, como Colômbia ou Chile, onde o crédito público representa  mais de 40% das vagas em instituições privadas”, diz Braga. O Plano Nacional de  Educação prevê que até 2020 o País tenha dez milhões de universitários, mas o  poder público não consegue preencher esse espaço, ainda que os investimentos em  educação tenham passado de 3,9% do PIB em 2000 para 5% em 2009.
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 A distorção  incomoda até mesmo os empresários do setor privado. “É um absurdo que o País  gaste tanto com universidades públicas que vão atender somente os alunos que  puderam custear escolas privadas de boa qualidade”, diz Vandyck Silveira, do  Ibmec.
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Fonte: Revista IstoÉ Dinheiro

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