UnB quer maior controle sobre festas

jul 17, 2011 by     No Comments    Posted under: Destaque, Gestão Educacional, Notícias

Administração planeja novas regras para organização de eventos no campus. Mudança foi decidida após festa para 3.500 pessoas no Teatro de Arena

 

Reitor, vice-reitor, decanos e prefeito prometem mais rigor com as festas realizadas no campus da Universidade de Brasília. O número de autorizações para eventos festivos vai diminuir, os estudantes que não cumprirem as regras serão punidos e a responsabilidade sobre o controle será, de fato, dividida entre a administração superior e as unidades acadêmicas. “Não vamos mais tolerar o descumprimento das normas”, afirma Eduardo Raupp, decano de Assuntos Comunitários.

O médico e vice-reitor, João Batista de Sousa, concorda que é preciso maior rigor em relação às festas: “O alcoolismo é um dos maiores desafios da saúde pública. As universidades têm sido convidadas a participar desse desafio”, diz. “Demos todas as chances para tratar o tema das festas de forma dialogada. Mas chega. Agora, vamos combater de forma dura os excessos no campus”.

A decisão de endurecer as regras foi tomada após festa organizada pelo Centro Acadêmico de Direito no Teatro de Arena, onde compareceram aproximadamente 3,5 mil pessoas. Estudantes estacionaram seus carros sobre as calçadas recém inauguradas. Um dos veículos, o caminhão que trazia o equipamento de som da festa, derrubou um poste de iluminação novo, instalado este ano. Bar montado pelos organizadores serviu cervejas e cachaça. A venda de bebidas foi reforçada por vendedores ambulantes, que se instalaram ao redor da arena.

Um rapaz de 20 anos se envolveu em uma briga e sofreu um corte na testa por volta das 6h da manhã, quando a festa acabou. Foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (SAMU), acionado pelo encarregado do serviço de limpeza da Ala Norte do Instituto Central de Ciências, Ernande Ferreira, que chegava ao campus naquele instante.

Os funcionários encontraram o Teatro de Arena cheio de latas vazias de cerveja, copos descartáveis amassados e muitos cacos de garrafas de bebida, além do vidro de uma janela quebrado e o poste de iluminação derrubado. Um dos organizadores da festa, o estudante do 8º semestre de Direito Carlos Augusto Maciel, afirma que pagou R$ 300 para fazer a limpeza da festa, mas sete funcionários do campus foram mobilizados para refazer a faxina, de acordo com Ernande Ferreira. “Os estudantes retiraram somente o lixo de grande porte. O resto fomos nós. Mudamos nossa rotina para garantir a limpeza do ambiente, e festas como essa acontecem pelo menos uma vez por semana”, reclamou.

Uma realidade que, na opinião da decana de Ensino de Graduação, Márcia Abrahão, não pode mais continuar. “Se a universidade autoriza festas de grande porte, está indicando que acha normal a sujeira e os estragos que surgem em consequência de eventos assim. Pior ainda, está estimulando que os estudantes se desconcentrem de suas atividades acadêmicas”, acredita.

Para evitar a repetição desse cenário, a Administração quer ampliar a parceria com os diretores de institutos e faculdades. “Chamaremos os representantes da diretoria das unidades acadêmicas para alertar sobre as normas existentes e estabelecermos critérios para cumpri-las de qualquer maneira”, afirma Paulo César Marques, prefeito dos campi.

 

 

RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA

A prévia da Vaca Louca, como foi chamado o evento no Teatro de Arena, foi autorizada pela diretora da Faculdade de Direito, Ana Frazão, e pela Prefeitura. Se fosse realizada em espaço da própria unidade acadêmica, a autorização dependeria apenas da Faculdade de Direito, mas como se trata de área administrada pela Prefeitura, coube ao prefeito dar também seu parecer.

“A autorização da unidade, nesse e em quaisquer casos, significa uma declaração de conformidade. Queremos que isso fique claro porque, na maioria das situações, somos nós que arcamos com os prejuízos no dia seguinte à festa”, afirma Paulo César. “Somos nós que removemos o lixo e respondemos pelos danos ao patrimônio”, explica. “As unidades precisam entender que, ao autorizar, elas têm responsabilidade”, conclui.

A Administração também pretende estabelecer que o cumprimento de regras para a realização de festas seja um dos critérios para a concessão de benefícios da Universidade. “Quem descumprir a regra em casos de festas poderá ter negado, por exemplo, um pedido de recurso para participação em eventos fora de Brasília”, explica o decano de Assuntos Comunitários. “Não é possível que cumpramos o nosso papel ao criar, manter e conceder benefícios e os estudantes não cumpram aquilo que lhes cabe”, defende.

A Administração também vai restringir o número de autorizações para festas por períodos. “A festa da Vaca Louca não foi a única realizada no campus na noite desta quinta-feira”, conta Paulo César. “Houve outras, menores, nas sedes de CAs, o que implicou em uma movimentação em todo o Minhocão, já que os estudantes circulam de uma para outra”, afirma. “Isso não é mais possível. Precisamos de limites”, diz Eduardo Raupp.

 

 

DEBATE NA COMUNIDADE

As festas realizadas no campus estão entre os temas mais debatidos na universidade nos últimos dois anos. A discussão ganhou mais evidência nos últimos meses, após a realização de eventos previstos como de pequeno porte, mas que abrigaram mais de mil pessoas.

Festa organizada pelo Centro Acadêmico de Biologia há pouco mais de uma semana trouxe ao campus 3 mil pessoas. A estimativa dos estudantes, relatada em pedido de autorização que fundamentou autorização dada pela direção do Instituto de Ciências Biológicas, era de 150 pessoas. “As redes sociais provocaram uma mudança nos modos de a sociedade se organizar e isso não pode mais deixar de ser considerado, em nenhuma situação. Não é mais possível esperar 150 pessoas em uma festa divulgada pelas redes sociais”, analisa o decano de Assuntos Comunitários.

A prévia da Vaca Louca não teve flyers, panfletos nem cartazes. Foi divulgada exclusivamente pela internet, especialmente pelo Twitter e Facebook. “Imaginávamos no máximo umas 800 pessoas”, afirma Carlos Augusto Maciel. “Esse happy hour mudou minha concepção de happy hour. Antigamente, esses eventos tinham 70, 80 pessoas”, diz. “Assumiremos os custos pelo poste e, se necessário, faremos uma nova limpeza da área”.

As mudanças sociais e no cotidiano do campus estão entre as razões que motivaram a revisão da resolução que define as regras atuais para a realização de festas, aprovada em 2003. “As regras são genéricas e não levam em conta situações incontornáveis, como as redes sociais”, resume Eduardo Raupp.

Documento proposto pela Administração e discutido com os estudantes por meio de uma consulta pública detalha as regras, definindo, por exemplo, o tamanho das festas, os procedimentos necessários para autorizá-las, os espaços onde podem ser realizados, entre outros temas. A proposta, que tem como relator o professor David Renault, diretor da Faculdade de Comunicação, será votada pelo Conselho Universitário. “Isso não significa que não possamos agir”, afirma o decano. “É possível garantir as regras com a resolução que já temos. Mas é necessário criar mecanismos para que as normas sejam cumpridas. E é isso que vamos fazer, ao mesmo tempo em que trabalharemos para acelerar o debate no Consuni”, conclui.

“Ultrapassamos o limite e quando isso acontece põe em risco todas as outras confraternizações que são legítimas da universidade”, afirma o assessor de Juventude da Reitoria, Rafael Barbosa.

 

 

Fonte: Ana Beatriz Magno e Ana Lúcia Moura –

Da Secretaria de Comunicação da UnB

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