O que é uma boa Faculdade?

jun 28, 2011 by     No Comments    Posted under: Destaque, Gestão Educacional

Percebo que estamos diante da especial possibilidade de incentivar e dar evidência às Faculdades e Universidades que vem ofertando uma prática diferenciada de ensino, que possa representar alternativa eficaz para o oferecido pelas públicas.

Se verificarmos, a guerra das baixas mensalidades faz com que a maioria das Instituições trate a relação entre ensino e aprendizagem nos patamares falaciosos da instrução e treinamento (que se faz com professores sem engajamento, projetos pedagógicos estanques e com instalações e recursos apenas satisfatórios, se tanto).

O resultado dessa prática gera interações inconsistentes do aluno com o mercado através de diplomas que não conseguem refletir densidades didático-pedagógicas.

Os princípios que orientam as ações dos gestores de Instituições de ensino que buscam propiciar Educação de qualidade devem estar fundados em três eixos que se complementam e potencializam intersecções entre a docência e o compromisso construtivista do conhecimento. Tais eixos são os da ética, da técnica e da estética.

Por ética deve-se compreender a busca de situar o discente na perspectiva de ego-histórico de seu tempo, capaz de prospectar ações que impliquem em inovação, criatividade, autonomia e consciência sócio-ambiental.

Técnica
faz referência ao domínio pleno de habilidades e competências com as quais o futuro profissional realizará seus projetos, dominando, direcionando e confluindo tecnologias.

Estética,
por sua vez, trata da configuração de linguagens, códigos e estilos voltados a demandas variadas no universo de consumo.

Tais eixos podem ser tomados como base de transversalidade da grade curricular. É a forma de propiciar interdisciplinaridades de fato, destinadas à “religação” dos saberes entre si e à “religação” entre o pensar acadêmico e a vida humana em sua totalidade.


O que é uma boa Faculdade?

Dentre o universo de conceitos disponíveis, destaco um: boa faculdade é aquela que, superando as etapas da instrução e treinamento consegue tecer sua pedagogia em torno de um conceito de educação que garanta a legítima autonomia intelectual de seus alunos, reconhecendo e potencializando talentos.

É assim que as grandes escolas se referendam quando colocam profissionais no mercado.
Há uma marca, uma reputação que é prioritária para muitos candidatos a um diploma de 3º grau. Tal marca transcende falsas economias e projeta uma parcela de futuros universitários para a proposta de um ensino de excelência. Para tal, penso, cabe a cada faculdade focar em seus diferenciais, apostando nas variáveis do ensino, pesquisa e extensão.


Ensino:

Áreas consolidadas na identidade da instituição e a criação de cursos superiores concernentes, na verdade, pode fornecer certificado natural de segurança ao calouro.

É claro que tal promessa institucional depende da consolidação das plataformas necessárias ao processo e que podem apresentar vantagens: concentração de saberes tais que dêem aos campos em que atuam a autêntica multiplicidade de seus aportes no mundo atual.

É preciso, portando, distanciar o máximo possível esses dois campos, daquilo que normalmente se processa no ensino disseminado pelo país: formação apenas “adestradora”. Percebe-se que poucos vestibulandos se interessariam pela aventura universitária em cursos superiores se esses cursos distendessem de forma previsível o que as inúmeras escolas de instrução apresentam.

É preciso ressaltar que o rigor dos cursos em faculdades que privilegiam a formação e não apenas a instrução implica no investimento do aluno para habilitar-se no sentido de dominar as demandas de um mercado desafiador e fortemente seletivo.

Os currículos dos cursos em faculdades com essa proposta fazem referência a um universo de conhecimento transdiciplinar e literalmente contemporâneo, necessário à comunicação de significados em suportes de extensa mutação. Derivados das chamadas novas tecnologias ou extensões dos sentidos do humano, como preconizou Marshall MacLuhan. Tem como cenário o cotidiano lúdico do alunado e se converte em conhecimento necessário à compreensão e moldagem do chamado pós-modernismo. Os cursos devem ser constituídos de forma a não repetir equívocos de sua concorrência (que geralmente condiciona ementas ao estudo fragmentado de forma muito generalista, a suas fusões mais óbvias).

Penso que, em intituições de qualidade os currículos apostam numa especificidade importante: possibilitar reflexões e a práxis sobre as intersecções em vários campos do conhecimento contemporâneo numa categoria que elege os eixos da ética, da técnica e da estética como constituintes de sua pedagogia. Tal caráter holístico deve ser levado em conta por toda instituição que se propõe a ofertar ensino superior, pois, ao formarmos futuros profissionais para atuarem num mercado albergado pela economia do intangível, baseada quase que exclusivamente no conhecimento, essa inserção não pode ser alavancada apenas por uma elite (que geralmente está na universidade pública ou em universidades privadas capazes de fazer concorrência às publicas).

É preciso garantir o status de agentes aptos a atuar em todo o segmento profissional inclusive para os alunos que se encontram hoje nas instituições precárias que oferecem apenas instrução, ou nada. Faz-se necessário separar o joio do trigo, com uma boa métrica que possa impactar realmente na qualidade do ensino.

Pesquisa

O ideal é que o corpo docente seja formado por mestres, doutores, graduados e especialistas que possuam experiência e legitimidade, o que deve garantir maior fluidez na implantação do projeto pedagógico dos cursos, reforçarem o diferencial da instituição e dar boas repercussões na opinião pública. O próximo passo é favorecer atualização constante desse corpo, o que se dá por meio de fomento à pesquisa que incremente os saberes construídos em sala de aula.

Constituir grupos de pesquisa ligados a agências fomentadoras como CNPq ou Capes, incentivar e patrocinar a participação de docentes em congressos nacionais e internacionais, enfatizar a publicação de artigos em órgãos indexados são atribuições institucionais que qualificam o corpo docente e agregam valores objetivos aos cursos. Não custa pouco. Também o investimento em laboratórios e em material de apoio didático contribui para esquentar a identidade da escola.

Extensão

É como a escola potencializa a colocação do aluno no mercado, e também como se comunica institucionalmente com a sociedade aberta. No primeiro caso, este é, talvez, um dos maiores diferenciais que se pode oferecer ao aluno: a possibilidade, real, deste se inserir em âmbitos profissionais de destacado valor social, quer através de programas de Mentoring ou de estágios. Tal prática é própria às melhores escolas e um empecilho às medianas. O sucesso dessas práticas garante a plena satisfação do aluno e contribui para o diferencial de seu currículo. Por outro lado, resolve também a nefasta questão das defasagens laboratoriais, já que é praticamente impossível à academia manter-se ininterrupta na vanguarda tecnológica.

O conceito de extensão demanda, também, iniciativas como a inserção da faculdade na agenda de eventos culturais concernentes aos cursos que oferta. Apoiando, promovendo ou patrocinando ciclos de variados eventos, feiras, exposições, palestras etc, o aluno pode amplificar sua auto-estima relacionada à escolha acadêmica.

Considerações

Convicta de que os alunos oriundos de instituições que oferecem uma proposta acadêmica similar constituem no melhor sentido da palavra, uma elite cultural que se faz pelo repertório legítimo de sua formação, muito além das bases utilitaristas fornecidas pela maioria das universidades.

Associar uma instituição a esses ideais de excelência, torná-la referência e bom motivo para se investir em educação. Não custa pouco. Significa investimentos sucessivos da instituição e, por conseguinte, também de uma classe diferenciada do aluno comprometido, a qualquer custo, com seu sucesso pessoal e profissional. Cobra-se caro pelo bom serviço.
Paga-se caro por ele. É o preço para o peso assegurado aos diplomas emitidos por faculdades e universidades comprometidas com qualidade de ensino. Atitude que deve se reverter em dividendos múltiplos a todos os agentes envolvidos nessas relações de ensino-aprendizagem. E que justificam tamanho esforço em oferecer novas graduações a um mercado cujo varejo quer saturá-lo. Mas que, como nos lembra Paulo Freire, admite brechas; aquelas que fazem da Educação um ato de sucessivas emancipações.

Fonte: administradores.com.br
Profª Maria Carmen Tavares Christóvam
Diretora da Gênesis Consultoria Educacional

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