Poli se abre à iniciativa privada

jun 20, 2011 by     1 Comment     Posted under: Destaque, Gestão Educacional, Notícias

Um novo fundo criado na escola de engenharia da USP para captar dinheiro da iniciativa privada pode ser um passo decisivo para libertar a academia de amarras burocráticas – e, enfim, aproximá-la do mundo real.

 

Fonte: Site Poli - USP

 

A criação de um fundo para canalizar doações do setor privado, livre das ingerências do estado e sob gestão de um conselho formado por empresários, causa espanto pelo cenário do qual ele emerge: uma universidade pública brasileira. Trata-se de algo pioneiro no Brasil. Lançada na semana passada, a iniciativa é da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo, que desde sua fundação, em 1893, forma os melhores engenheiros do país.

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O propósito é ter não apenas mais dinheiro como liberdade para gastá-lo com o fundamental: pesquisa e laboratórios de alto nível. Isso ecoa uma prática que vem sendo decisiva para alçar instituições como Harvard ou Yale, nos Estados Unidos, ao topo do ranking mundial do ensino superior. Em tais universidades (que, ao contrário da USP, não são públicas), quase a metade do orçamento é composta de doações na casa de bilhões de dólares. O fundo da Poli começa com meta bem mais modesta. O objetivo é somar ao caixa 25 milhões de reais por ano – o equivalente a um quarto da verba já garantida pelo estado (da qual 80% se destinam ao pagamento de salários). Em troca, as empresas receberão 30% de isenção fiscal sobre o valor doado, modelo que segue o de universidades estrangeiras.

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“Para dar aos alunos um diploma de valor equivalente ao das melhores instituições do mundo, não é mais possível às universidades brasileiras depender do estado para tudo” resume o doutor em engenharia José Roberto Cardoso, diretor da Poli.

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Outros centros situados em universidades públicas brasileiras já haviam encontrado caminhos jurídicos para angariar recursos privados de forma permanente. Muitos criaram fundações universitárias, que começaram a proliferar na década de 70 por todo o ensino superior público e foram cruciais para consolidar núcleos de alto padrão, como a Coppe, na UFRJ. Nenhuma dessas iniciativas, no entanto, foi tão radical quanto a da escola de engenharia da USP – talvez o primeiro passo para uma mudança de maior espectro no sistema universitário público. Enquanto nas fundações ainda é preciso submeter os grandes gastos e decisões a uma alçada federal, a Poli criou um fundo autônomo, cujo dinheiro poderá ser gasto como julgar melhor, apreciação que ficará a cargo de um conselho constituído pela próprio faculdade. O papel do estado será tão somente garantir os inscentivos fiscais aos doadores, algo que a Poli conseguiu enquadrando-se na legislação que faz de seu fundo uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). Não existe no Brasil uma lei de endowment (como é conhecida em países ricos) prevendo doações do setor privado – um flagrante atraso que resulta em situações absurdas na academia. Sem nenhum incentivo, empresários brasileiros acabam dando dinheiro a instituições estrangeiras.

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Há um aspecto menos visível na iniciativa da Poli que é decisivo para que a faculdade avance: sua aproximação como o setor privado. No conselho que fará a gestão do fundo, além de professores e ex-alunos, estarão empresários que ajudarão a sinalizar para a academia as verdadeiras demandas do mercado. Essa conexão, que já se demontrou tão eficaz na produção de conhecimento e inovação em países mais desenvolvidos, no Brasil costuma ser vista como afronta à autonomia universitária – uma bobagem ideológica que só mantém as instituições brasileiras longe do topo. A própria USP foi palco de um episódio recente que ilustra o tom predominante. A Faculdade de Direito havia conseguido doações de um banco e de um escritório de advocacia para reformar algumas salas. Em troca, faria um pequeno gesto: pendurar na parede placas com o nome dos doadores. Pois professores e alunos se insurgiram quando tais placas ficaram prontas, fazendo até greve e acusando diretores da faculdade de querer “privatizar o ensino”.

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“Infelizmente, ainda impera nas universidade públicas brasileiras uma mentalidade tacanha, distante da academia moderna”, diz o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza.

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O fundo recém-criado pela escola de engenharia da USP também tem o efeito de livrá-la, em certo grau, da pesada burocracia que recai sobre as universidades públicas no Brasil. Para se ter uma ideia dos entraves, uma fabricante de computadores tentou doar centenas de máquinas à Poli, mas a faculdade, que precisava delas, viu-se obrigada a recusadar. Isso porque, como ocorre com as demais universidades, qualquer nova aquisição – até mesmo fruto de doações – precisa ser submetida à lei de licitações. Nesse caso, a Poli deveria procurar outras empresas do mercado para saber se elas também teriam interesse em lhe doar computadores e, só então, poderia escolher a melhor opção. Diante de tantos obstáculos, a Poli desistiu. O mesmo princípio causa morosidade a processos básicos, como a compra de aparelhos e materiais que se prestam à pesquisa – uma barreira à própria investigação científica. Históricamente, as universidades públicas brasileiras se queixam de escassez de verbas, mas, antes de tudo, está claro que é preciso gerir melhor o que já têm e despregar-se do estado para conseguir figurar entre as melhores. O novo fundo de doações da Poli é uma boa notícia nesse sentido.

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“A fim e ao cabo, a tendência é que o próprio ensino melhore, algo crucial para que nossos jovens tenham chance de encarar a competição global”, conclui o matemático Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências.

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Sobre a Escola Politécnica da USP

Há mais de um século, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) vem formando gerações de engenheiros que têm se destacado não só em suas especialidades profissionais, mas também na vida política do País e na administração de empresas e de órgãos públicos. Fundada em 1893, Poli oferece 17 cursos de graduação, e possui o maior centro de pós-graduação do País na área de Engenharia. Também se destaca na realização de pesquisas científicas e tecnológicas, com as quais contribui para o progresso social e econômico do Brasil e para a modernização, competitividade e qualidade dos produtos e processos das empresas.

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Fonte: Revista Veja – Um elo com o mercado

Por  Renata Betti – 22 de junho de 2011

Imagem e descrição: Site Poli – USP

 

Uma Resposta para “Poli se abre à iniciativa privada”

  1. Para saber mais sobre essa iniciativa, visite o site eepolitecnica.org.br.
    Há muitas informações disponíveis e novos conteúdos a caminho.

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