A Geração Y e as IES

fev 8, 2011 by     5 Comments    Posted under: Destaque, Gestão Educacional, Redes Sociais

Nesses 10 anos trabalhando em departamentos de Comunicação e Marketing de Instituições de Ensino Superior (IES), tornou-se mais do que usual realizar e responder perguntas do tipo “quem é o seu (no caso, o nosso) público-alvo?”. E, felizmente, essa questão vem sendo levantada com cada vez mais frequência por gestores de todas as áreas das IES.

No entanto, atualmente, informações consideradas básicas sobre o aluno, como onde mora, faixa salarial, onde trabalha etc, são fundamentais para que possamos ter acesso a características desse público. Mas, é de extrema importância saber como esse educando se comporta no ambiente familiar e profissional, o que o estimula, o que ele gosta de fazer nas horas de folga, como ele aprende e como se comunica. Vejo que muitos ainda não sabem responder quem é de fato o público-alvo.

Sem possuir respostas para essas questões, os gestores de instituições de ensino ficam a mercê do mercado avassalador que se constituiu nos tempos atuais. Por isso, quero lançar um holofote sobre o perfil do público geração Y, que está sentado aí, nas carteiras da mais diversificadas Instituições. Não há outra forma, eles são a nossa realidade e vão ditar as regras em um futuro não muito distante!

Se você gestor não sabe como se comporta, onde anda, o que gosta e o que faz essa geração nascida na década de 80, seu negócio está fadado à diminuição de número de alunos, pois, certamente, alguma outra Instituição próxima está levantando esses dados.

Fique atento, o alunado não é mais como as gerações passadas. Agora, quem está na sala de aula de sua Instituição é a Geração Y, que teve como antecessora a Geração X e que gosta de trabalhar em equipe, não se submete a realizar qualquer atividade que não tenha “sentido” à sua existência, tampouco fazem coisas por fazer. São antenados em novas tecnologias e desenvolvem várias atividades simultaneamente. E, tudo isso é importante, pois você tem de saber, entender, aceitar e considerar em suas estratégias institucionais, comerciais e mercadológicas esse perfil dentro da Instituição.

A geração Y não tem medo de arriscar e por isso inovam e procuram sempre novos caminhos. De certa forma, isso pode nos prejudicar e muito na retenção de alunos também, pense nisso! Se muitos não se submetem a seguir carreira em que tenha que ter horário de entrada e saída do emprego, imagine nessa etapa, onde o horário de aulas engessado, maçante! Claro, não falo em termos de libertinagem e bagunça, mas sim de uma flexibilidade maior, mesmo porque acredito que os valores da geração Y não são muito diferentes dos valores tradicionais, são apenas mais liberais em termos de cultura e de acessibilidade.

Eles ainda valorizam a honestidade, criatividade, família e sucesso. O que precisamos fazer é ver por uma perspectiva diferente, olhar pelos olhos deles. Recentemente uma pesquisa da MTV Brasil, intitulada de “Dossiê Jovem”, entrevistou 2.154 pessoas entre 12 e 30 anos em São Paulo, no interior paulista, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife e Porto Alegre, publicada na Revista Veja SP, edição de 08 de dezembro de 2010, apontou que 90% dos jovens apontam a união familiar como o principal valor, e que 61% moram na mesma residência com a mãe.

Como a geração Y precisa criar, experimentar e por isso não gosta de se sentir presa (comportamento esse que já os qualificou como folgados, indisciplinados e insubordinados, mas a realidade é que esses jovens procuram fazer aquilo que lhes dá sentido), acredito que podemos pensar em algumas questões, como: “O conteúdo programático de sua Instituição atende, na medida permitida de nossa legislação, a essas características?” “O seu planejamento de comunicação, contempla atividades e mídias de acordo com esse perfil?” “Redes sociais, mobilidade, multiplicidade de focos, interatividade fazem parte do dia-a-dia do seu alunado?”

É evidente, há que se mudar a forma de pensar e agir, conseguiremos caminhar juntos com essa geração, para assim estimular a troca, o respeito e a aprendizagem de maneira significativa. Mas já preparando o terreno, porque em breve, quem estará sentando em nossos bancos escolares não será a tal geração Y, mas sim a atual e recém saída do forno, geração Z.

Bem-vindo à onda da geração “sopa de letrinhas”!

Luciana Palhete é Coordenadora de Comunicação e Marketing do UNISAL – Centro Universitário Salesiano de São Paulo com Unidades em Americana, Campinas, Lorena e São Paulo. Especialista em Administração em Marketing, atua há mais de 10 anos no segmento educacional.

5 respostas para “A Geração Y e as IES”

  1. Olá Luciana, muito bom o texto… como tenho trabalhado com assessor para empresas que querem acessar o mercado educacional e/ou instituições de educação basica que querem melhorar sua performance na prospecção tenho orientado a usar como critério de segmentação as gerações. Os resultados são otimos.

  2. Luciana, muito interssante sua reflexão e abordagem.

    Acredito que algumas, senão muitas IES ainda não acordaram para desenvolver estratégias de comunicação para seu público-alvo. Poucas se preocupam em falar a mesma língua da Geração Y e insistem em ações equivocadas e em mídias que já não são mais atraentes a esses jovens.

    Acredito que ainda há um longo caminho a ser percorrido e uma nova cultura de comuncação a ser difundida.

    Forte abraço.

  3. Muito bom falar sobre propostas pedagógicas inovadoras, pois acredito que é algo que está ao lado da comunicação na estratégia organizacional. Uma área alimenta a outra nessa caminhada e, assim comunica verdadeiramente com seus alunos, professores, funcionários e comunidade.

  4. Antonio Alves disse:

    Olá Luciana, Parabéns pelo texto, temos que identificar as necessidades, desejos e sonhos de nossos jovens, só assim conseguiremos estabelecer uma comunicação que atinja sua alma, seu coração, como dizia Dom Bosco “Educação e coisa do coração”
    Abraços!
    Antonio Alves
    Dir. Adm UCDB

  5. Neilton Batista de Santana disse:

    Luciana, é singular a abordagem como trata as perspectivas do perfil da nova geração de alunos que incondicionalmente vamos nos deparar como formadores. Há muito tempo se discutem as práticas da personalização de atendimentos em outros seguimentos, a sua abordagem traz o despertar para um público que carrega em sua natureza, a nova sociedade do conhecimento, agora com mais ousadia e interatividade movida pelas redes sociais. Para nós gestores, não basta personalizar, é preciso entender profundamente.

    Parabéns!

    Coordenação Comunicação e Midia Digital
    FANESE/SE

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